O noroeste do Paraná na Câmara dos Deputados
Desde a formação da assembleia nacional constituinte e a posterior promulgação da constituição de 1988, quatorze nomes exerceram mandato como Deputado Federal da região noroeste do Paraná. Abrangendo uma base eleitoral que compreende as microrregiões de Paranavaí, Umuarama, Cianorte, Maringá e Campo Mourão, verificamos um dado relevante: a ausência de novas lideranças no cenário político.
Entre 1987 e 1991, Darcy Deitos (Campo Mourão), Dionísio Dal Prá (Paranavaí), Renato Bernardi e Tadeu França (ambos de Maringá) foram os “representantes” no parlamento nacional. Dal Prá foi o último deputado eleito com base fixada no município de Paranavaí – algo que perdura por 23 anos. Tais nomes também exerceram pela última vez um mandato de Deputado Federal. Há, portanto, o término da geração, pautada por representantes do regime militar versus defensores da abertura política.
Na legislatura posterior (1991-1995), Amauri Meneguetti (suplente de Maringá), Antonio Barbara (Cianorte), Rubens Bueno (Campo Mourão), Pinga Fogo e Said Ferreira (Maringá) estiveram presentes na época em que a região contou com o maior número de representantes em Brasília. De 1995 a 1999, Alexandre Ceranto (Umuarama), Valdomiro Meger (suplente de Maringá) e a dupla Ricardo Barros/Odílio Balbinotti, de Maringá, constaram na última bancada eleita na década.
No período de 1999 a 2003, Rubens Bueno exerceu o último mandato como Deputado Federal pela região. Desde então, a trinca Osmar Serraglio (Umuarama) e Ricardo Barros/Odílio Balbinotti de Maringá predomina na política regional. Além da legislatura citada, acrescentam-se as legislaturas 2003-2007 e 2007-2011.
Uma das explicações plausíveis para a baixa alternância na representatividade são os altos custos das campanhas eleitorais. Ainda assim, a ausência de novas (e fortes) lideranças políticas também colabora para tal fenômeno. Normalmente, a campanha para Deputado Federal financia e auxilia a do Estadual, transformando-os em cabos eleitorais de peso. Assim, garantir um status político mais elevado é tarefa difícil. Cabe ao eleitor avaliar se o trabalho dos atuais deputados condiz com as expectativas e, sobretudo, se estes atuam de fato em prol do desenvolvimento regional.
* Tiago Valenciano é graduado em Ciências Sociais e Mestrando em Ciências Sociais pela UEM.