Criado em 2004 pelo governo de Luís Inácio Lula da Silva (PT), o PROUNI (Programa Universidade para Todos) visa dar oportunidade para que estudantes de baixa renda possam cursar o ensino superior. Por intermédio do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, o estudante pode escolher qual instituição/curso realizar, mediante a nota que obtiver no mesmo. Quanto maior a nota, maior a possibilidade de escolha.
Beneficiando as instituições privadas, o PROUNI estimulou a criação de novas faculdades, bem como aumentou a quantidade de estudantes matriculados no ensino superior. No entanto, tal medida emergencial não satisfaz plenamente as necessidades de mudanças no sistema educacional brasileiro.
O recente escândalo das alunas que cursam medicina na UNINGÁ (aqui mesmo, debaixo de nossos olhos) e que recebem incentivo financeiro do governo só confirma como a educação no Brasil está defasada. Em um curso ainda não reconhecido pelo Ministério da Educação (porém que recebe grana do governo), as alunas com bom padrão socioeconômico esbanjam, sem pudores, do dinheiro proveniente dos impostos, pago por você, contribuinte.
Ainda que emergencial, a criação do PROUNI condiz com a política praticada no Brasil: tapar o sol com a peneira e deixar a vida nos levar. É assim quando são construídos postos de saúde ao invés de hospitais; quando são tapados os buracos, em detrimento a reforma das pistas; quando são instituídos impostos “temporários” como a CPMF, para “salvar” a saúde; e quando são distribuídas bolsas, ao contrário de melhorar as universidades públicas já existentes.
Apesar do maior número de graduados no país, a farra existente no ensino superior põe em xeque a qualidade da educação. É preciso repensar o ensino superior brasileiro começando pela base, fortalecendo as escolas no ensino fundamental e médio e que, sobretudo, o último não seja apenas um ritual de passagem para a graduação.
Com um bom ensino médio, o aluno da graduação poderá absorver melhor os conhecimentos adquiridos, via universidade gratuita (já paga pelos impostos) e com professores de alto gabarito. Assim, poderemos vislumbrar uma educação superior: pública, gratuita e acima de tudo, com alto padrão de qualidade.
Tiago Valenciano é graduado em Ciências Sociais e Mestrando em Ciências Sociais pela UEM.