Maringá, 18 de Fevereiro de 2018
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WALTER POPPI
Maringá nasceu com preconceito de classe?
 



A despeito de Maringá estar completando 70 anos, e que vão sair publicações sobre pioneiros que fizeram isto ou aquilo e até de gente nova que também vai ser notícia, vale também comentar um pouco de história que a maioria desconhece. Talvez no livro “Terra Crua”, na década de 40 haja alguma coisa. De resto nunca se falou nisso.

Trata-se do preconceito de classe que teria havido quando da fundação do Maringá-Novo. Todos sabem que a cidade começou lá no Maringá Velho, quando chegaram os primeiros moradores. Mas logo em seguida, por volta de l.948 a Cia. Melhoramentos ampliou o perímetro urbano da cidade, instalando o centro e vendendo lotes para a formação dos dois primeiros bairros da cidade: a Dois e a Vila Operária, ou zona 03  Depois vieram a zona quatro e aí por diante.
    
O assunto deste artigo refere-se aos dois primeiros bairros. Alguns podem dizer que o que aconteceu teria sido mera coincidência. Outros podem afirmar que tudo dependia do poder aquisitivo dos compradores de terrenos e outros, por fim, acreditam que havia mesmo preconceito, tendo em vista alguns fatos curiosos que persistem até hoje.
 
Vamos aos fatos. Na compra de terrenos para a zona dois, por exemplo, havia duas categorias. O bairro foi dividido pela Avenida Cerro Azul. Do lado esquerdo, de quem vai do centro para o Cemitério, só eram vendidos terrenos para os da classe A, quais sejam, médicos, dentistas, profissionais liberais, empresários, etc. Do lado debaixo da Avenida, até o bosque da Avenida Nóbrega, hoje Avenida Itororó, os cidadãos da classe B, ou pobre como queiram.
  
Naquele tempo não havia classe C ou D. Eram ricos e pobres. Agora vem o detalhe mais curioso. Os negros, ou cidadãos de cor, com todo o respeito, tinham que morar na Vila Operária. E por último, os funcionários da Cia. Melhoramentos também só adquiriam terrenos na Vila Operária. Esta é a razão de a maioria dos cidadãos de cor que são pioneiros, residirem na Vila Operária, que até então só ia até a Avenida Riachuelo. Isto é fato. As famílias estão lá.
  
Estou escrevendo este artigo com conhecimento de causa. Meu pai era tapeceiro, quando chegou em Maringá, em 1.947. Comprou um terreno lá na Avenida Nóbrega, defronte ao Bosque, onde também ficaram a maioria das famílias. Algumas um pouco acima na Rua Pedro Álvares Cabral, hoje Marcelino Champagnat. Passei minha infância e adolescência por ali e sei disso.
  
Alguns vão dizer: vocês compraram terreno lá porque não tinham dinheiro para comprar do outro lado da Avenida. Raciocínio absolutamente lógico. Só que fica uma pergunta: Porque não havia nenhuma família de negros naquela região?  Todos tinham que adquirir terrenos na Vila Operária?  É claro que hoje tudo mudou Por isso que é preciso enfatizar que se trata de um fato atinente à fundação da cidade.
  
É um assunto delicado, que ninguém dos autores dos últimos anos que se aventuraram a escrever livros sobre a cidade quis publicar.
  
Só vão lembrar disso os Desbravadores. Os pioneiros talvez não.
  
O pioneirismo em Maringá é dividido em duas partes. A primeira sobre aqueles que aqui chegaram até 1.950. Estes são considerados Desbravadores. Os que chegaram de 1.951 até 1.960 são denominados Pioneiros.
   
Assim diz uma Lei Municipal aprovada por volta de 2.000, cujos motivos ou objetivos não cabe aqui comentar.
   
Portanto, verdade ou não, muitos consideram que teria havido por parte da loteadora, uma certa sistemática indireta e absolutamente pessoal de classificar à sua maneira a formação dos dois primeiros bairros.
   
Não vale aqui querer saber quem foram as pessoas que residiram na parte pobre da cidade e o que são hoje na nossa vida comunitária. Dezenas deles são conhecidíssimos, ocuparam cargos importantíssimos, são grandes empresários, etc. Isso não interessa. Éramos todos crianças na época destes fatos. Se todos cresceram e progrediram pelos seus méritos, vale também dizer que o local em que nos colocaram também tinha qualidade de vida.
    
Por fim é isso. Não há culpados. A Companhia que fundou esta cidade merece o nosso respeito.
    
O preconceito acima relatado pode ter sido intencional, ou mesmo feito de boa vontade. Mas que existiu, não tenho dúvida.
                 
(*) Walter Poppi, no caso, Desbravador. Avenida Nóbrega, 1.949.
Foto - Reprodução

 
  
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