O VIOLENTO TRÂNSITO DE MÁ-RINGÁ
Quem reside em Maringá fatalmente já viu em algum órgão de imprensa as estatísticas referentes às mortes no trânsito da cidade. Entra ano, sai ano, a marca de cinquenta mortes sempre é superada, isto é, há pelo menos uma morte por semana em decorrência de acidentes automobilísticos nas vias do município. Mas, o que fazer para mudar essa triste realidade e que parece não ter solução?
Nos últimos anos, a Prefeitura Municipal – via Silvio Barros (PP) e o Secretário Walter Guerlles – tentaram implementar medidas para melhorar o fluxo. Destas, podemos enfatizar as campanhas educativas para levar gentileza ao trânsito (esperar os pedestres nas faixas), como ser um motorista mais atencioso e saber dar preferência e as iniciativas voltadas para o público jovem.
Em alusão às mudanças estruturais, destacamos a implementação do sistema binário, a liberação da via expressa, que liga a cidade da rodoviária da Avenida tuiuti até a Avenida 19 de Dezembro e as obras do contorno norte, futuramente desafogando o intenso tráfego da Colombo.
Todas essas alternativas criadas ainda não foram capazes de resolver ou pelo menos amenizar a dura estatística que assola o trânsito local. O problema das mortes é precedido por outras três questões: as altas velocidades praticadas nas rápidas vias da cidade; o não favorecimento de um transporte de massa eficaz, aliado à grande frota de veículos de Maringá – média de um veículo para cada 1,5 habitante; e o desrespeito das regras de trânsito por parte dos condutores, que desencadeia uma série de acidentes.
Chegou a hora de transformar o trânsito do município, tomando uma atitude drástica em relação a estas questões enumeradas. Para isso, além de ampliar as campanhas preventivas, é necessário criar transportes alternativos, como o transporte coletivo rápido (trajeto das linhas interligando bairros), a bicicleta (ampliando as ciclovias) e até mesmo o uso da carona, reduzindo assim o número de veículos nas ruas e, consequentemente, a emissão de poluentes.
Somente com essa força-tarefa o número de mortes em decorrência de acidentes poderá diminuir. É preciso discutir o trânsito de Má-ringá, para implementação de políticas públicas eficazes. Afinal, até quando vamos permitir tantas mortes?
* Tiago Valenciano é graduado em Ciências Sociais e Mestrando em Ciências Sociais pela UEM.