Maringá, 10 de Dezembro de 2018
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14.03.2018
Polícia Federal prende maringaense na Operação 14 Bis
A Polícia Federal deflagrou no início da manhã de ontem (13) a Operação 14 Bis, contra fraudes e corrupção na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus de Cornélio Procópio.

Com presença de 100 policiais e servidores de diversos órgãos, a iniciativa cumpriu mais de 40 mandados expedidos em quatro municípios, incluindo Maringá. Ao todo, 20 prisões temporárias foram consumadas, sendo de um empresário maringaense e outros dois ex-diretores da instituição de ensino.

De acordo com os resultados preliminares da investigação, que contou com o apoio do Ministério Público do Paraná (MPPR), Controladoria Geral da União (CGU) e da Receita Federal, a UTFPR pode ter sofrido prejuízo de aproximadamente R$ 6 milhões. O esquema envolvia empresários de diversas áreas com servidores de cargos elevados na universidade. Com licitações direcionadas, obtenção de informações privilegiadas e contratos superfaturados, dezenas de pessoas receberam dinheiro público em detrimento de investimentos na educação.

Operação
A Operação foi iniciada às 6h dessa terça-feira com a utilização de efetivo de 100 policiais federais, auditores e promotores que se dividiram em Maringá, Uraí, Nova América da Colina e Cornélio Procópio, sede do próprio campus alvo das fraudes. Com dezenas de mandados expedidos, sendo 26 de busca, apreensão e bloqueio de bens e 20 de prisão temporária, todos os envolvidos foram encaminhados ao longo da tarde para a Delegacia da Polícia Federal em Londrina.

Uma denúncia interna, em 2015, desencadeou maiores investigações por parte das autoridades paranaenses e da união, em virtude da universidade ser de responsabilidade majoritária do Governo Federal. Com base nas investigações até o momento, há indícios de “graves irregularidades” por parte de contratos celebrados entre a UTFPR e empresas que prestam serviços de manutenção como de ar-condicionado, predial, de veículos, além de serviços de fotocópias, limpeza e entrega de materiais de construção.

Segundo a Polícia Federal, o esquema entre servidores do estado e empresários, da iniciativa privada, teve como objetivo direcionar licitações para a realização destes serviços, para os participantes do esquema obterem vantagens econômicas, ao mesmo tempo em que possuíam privilégios no recebimento de informações confidenciais, fato que também auxiliava para vencer as disputas licitatórias. Simultaneamente, há também fortes indícios sobre superfaturamento dos contratos vencidos, medida que ampliava ainda mais os lucros do grupo fraudulento.

Possíveis irregularidades como formação de grupo econômico, uso de documento potencialmente falso ou insuficiente para atestar a capacidade técnica de servidores, pagamentos superiores aos valores contratados, sobrepreço, frustração de concorrência, desvios de materiais e suspeita de pagamento de materiais não recebidos. Em números gerais, as autoridades calcularam um prejuízo de R$ 5,7 milhões, que pode ser ainda maior caso as novas informações que estão sendo agrupadas após a série de depoimentos prestados na manhã de ontem indiquem maior ramificação do grupo.

A Operação foi denominada de “14 Bis” em virtude de uma empresa ter sido aberta, justamente com este nome, e tornou-se um meio facilitador para organizar e gerenciar o patrimônio obtido através do esquema dito pela delegacia de Londrina como uma “ação de fraude generalizada”. Em empresário maringaense, que tem a identidade preservada pelas autoridades, pelo menos por hora, foi encaminhado para Polícia Federal de Maringá para prestar depoimento a respeito do caso. Após responder diversas perguntas, foi encaminhado para Londrina onde ficará preso por pelo menos cinco dias. Os demais 19 detidos, incluindo dois ex-diretores gerais da UTFPR também foram encaminhados para o município. Nas buscas realizadas, os policiais apreenderam US$ 27 mil e três embarcações de luxo.

De acordo com a assessoria da Polícia Federal, os suspeitos devem responder por diversos crimes como falsidade ideológica, associação criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva, crimes contra o processo licitatório, entre outros que apesar de indícios ainda não há materialidade. Nos contratos em que há constatação das irregularidades, em virtude da PF, a CGU, o MPPR e a Receita Federal investigarem a universidade há pouco mais de dois anos, a situação é comprovadamente criminosa, não apenas por erro de cálculo ou qualquer outra medida sem dolo.

Durante a entrevista coletiva concedida para a imprensa, em Londrina, o delegado-chefe da instituição local, Milton Cruz da Silva, garantiu que tanto uma auditoria interna realizada pela própria UTFPR, como as análises prévias da PF, identificaram que ao invés do recebimento de 250 equipamentos de ar-condicionado, devidamente pagos com o valor de R$ 1,5 mil a unidade, apenas 50 realmente ficaram sob posse da instituição.

Ao mesmo tempo, os fiscais constataram gastos com manutenção de carros e ônibus oficiais muito acima do valor praticado em Cornélio Procópio, além de custos elevados com combustível, mesmo em períodos sem utilização. Durante as ações internas da faculdade, duas pessoas foram exoneradas nos últimos anos.

Em nota da reitoria da UTFPR, assinada pelo atual diretor-geral do campus, Márcio Jacometti, foi destacado que desde a identificação da primeira irregularidade, todos os procedimentos de segurança e em prol do erário público foram tomados e que “no segundo semestre de 2015, deu início às apurações por meio de auditoria interna da instituição e afastou os servidores envolvidos nas acusações”. Os indivíduos em questão, únicos nomeados pela PF, se devem ao então diretor de Planejamento e Administração do campus, Sandro de Almeida, e do então diretor-geral, Devanil Francisco. Todos os detidos permanecem, no mínimo, até sexta-feira (17), enquanto ainda aguardam em Londrina, à disposição da Justiça.

Redação JP
 
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