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Avenida Getúlio Vargas é a nova cracolândia

Avenida que era cartão postal da cidade virou pesadelo para os lojistas

A Maringá que conhecíamos já não é a mesma, basta circular pelas ruas para que até o cidadão menos observador se deparar como uma cidade, que já foi referência nacional, abandonada pelo poder público.

Mendicância, violência e tráfico de drogas fazem parte do cotidiano de quem transita no centro da Cidade. Tudo acontece a poucos metros da Prefeitura Municipal, aos olhos da administração.

O comerciante R. W, que prefere não identificar-se, diz que a partir das 19 horas a Avenida Getúlio Vargas vira um filme de terror. “São pedintes, a maioria drogados e maltrapilhos, que coagem as pessoas que por aqui passam. Eles pedem dinheiro, cigarro, bebida, tudo que podem imaginar. Eu que antes deixava as portas abertas até um pouco mais tarde para atender alguns clientes, hoje já não posso mais porque tenho medo”.

Há anos com seu estabelecimento instalado na avenida, que é um dos principais pontos de Maringá, o empresário reclama que, além da cracolândia que a Getúlio Vargas se transformou, outros problemas ocorrem. “Vivemos intimidados com os usuários de drogas que deixam lixo por todos os lados, urinam e fazem outras necessidades em qualquer lugar. Todos os dias temos que limpar a sujeira desse povo para receber nossos clientes. O cheiro de fezes e urina é insuportável e constante na avenida que já foi cartão postal de Maringá”, desabafa.

Quando perguntado sobre as providências a serem tomadas, o comerciante diz que não sabe mais o que fazer. “Já liguei na Ouvidoria Municipal, na Polícia Militar, no serviço de assistência social e nunca tive o problema resolvido.  Vez ou outra a Guarda Municipal aparece, revista o que aqui estão e seguem, deixando a situação igual. Pelo jeito que a coisa anda, com aumento de drogados e a violência que aqui tomou conta, penso seriamente em fechar meu comércio que está aberto há mais de 20 anos”, relata.

Para Alexandre Maia Gutierrez, proprietário da tradicional panificadora Açukapê, estabelecida na rua Santos Dumont, desde 1993, a situação está crítica: “A questão de segurança está péssima e vem piorando. A Getúlio Vargas, que é próxima da panificadora, tornou-se um comércio de drogas a céu aberto, durante o dia inteiro e a noite é pior ainda. Carros e motos são vistos com frequência levando e trazendo usuários e traficantes. Quando observamos as câmeras de vigilância que instalamos na padaria é comum ver pessoas tentando abrir as portas das lojas, se drogando e entrando nos comércios.”

De acordo com Gutierrez, o grupo do whatsapp da associação dos lojistas virou um jornal policial. “Todos os dias lojistas postam imagens de arrombamentos e roubos nas lojas. A situação nunca chegou nesse ponto e não estamos vendo solução e nem força de vontade para acabar com esse problema. A situação está incontrolável”, finaliza Alexandre.

Em nota, a Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Segurança Pública, informa que a Guarda Civil Municipal realiza patrulhamento constante por toda a cidade, com reforço no período da noite, incluindo a região da Avenida Getúlio Vargas. A Guarda também realiza operações em conjunto com a Polícia Militar para coibir o tráfico de drogas e outros crimes na cidade. Inclusive, na sexta-feira, 10, uma operação conjunta na Avenida Getúlio Vargas resultou na prisão de suspeitos de tráfico de drogas.

Além disso, o município reforça o monitoramento com a instalação de mais de 80 câmeras de reconhecimento facial e de leitura de placa de veículos e a Central de Monitoramento, com inteligência artificial.

A gestão municipal ressalta que possui políticas públicas para pessoas em situação de rua e usuários de drogas. A Secretaria de Assistência Social (SAS) conta com serviço especializado em abordagem social, que funciona 24h, e oferece encaminhamento para o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro Pop) e a Casa de Passagem. Há, ainda, outros serviços municipais da política de saúde, disponíveis para a população em situação de rua, como o Consultório na Rua; Centro de Atenção Psicossocial (CAPS); Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad), Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Além disso, o município oferece encaminhamento para tratamento de vícios, oportunidades para a reinserção na sociedade, direcionamento para vagas de emprego, entre outras ações.

Caso encontre alguém em situação de rua precisando de ajuda, a população também pode ajudar ligando no (44) 99103-5661.

Da Redação
Foto – Jornal do Povo

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