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Minha terra tem palmeiras

Paulista que sou, poderia estar falando que minha terra tem um clube de futebol, fundado com o nome de Palestra Itália  no dia 26 de agosto, data coincidente com a minha volta ao mundo físico,  na atual existência, no ano 1914, e que foi o primeiro campeão mundial interclubes,  tempos depois, coincidentemente no ano do meu  nascimento.

      Sociedade esportiva Palmeiras, o Palmeiras, é simplesmente o maior campeão brasileiro, time para o qual passei a torcer em 1966 ( até então era torcedor da Prudentina e nutria uma simpatia pelo Santos) e que nos últimos três anos  está entre os maiores vencedores no Brasil, e muito em função da capacidade  do técnico Abel Ferreira, nascido em  Portugal, quase desconhecido até chegar ao Brasil.

      Portugal é a deixa para falarmos de um poema composto em 1843, na cidade de Coimbra,  intitulado Canção do exílio, sinônimo de seu criador, o poeta  Antônio de Gonçalves Dias. Seus versos se misturam com profundidade em nossa cultura, e alguns deles aparecem na segunda parte do Hino Nacional.

O crítico Agripino Grieco disse: Ninguém lê os poetas, mas raros são os brasileiros que não conhecem a “Canção do exílio”, o poema representou, para o seu autor, um momento de grave dor e nostalgia.

Em 1838, o poema maranhense havia  ido para Portugal, e matriculando-se na Universidade de Coimbra. Estava há cerca de cinco anos distante do Brasil, e quase adaptado à flora e à fauna europeia., quando a distância começou a lhe corroer a alma.

Certo dia, ao se reportar à balada Mignon, de Goethe, encontrou algo como: Conheces o país das laranjeiras? Para lá quisera eu ir! Retornaria ao Brasil em 1846, ano em que publicaria seu poema em sua obra de estreia, Primeiros cantos.

É sempre importante poder voltar a estudar tal peça literária, jamais com a intenção de banalização pelo insistente repetir, mas, sim, buscando aprender com suas belas reflexões nostálgicas: Minha terra tem palmeiras;  Onde canta o sabiá; As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá.

Muitas vezes só aprendemos a valorizar o que temos, quando perdemos, ou nos afastamos daquilo em questão. Bens, lugares, pessoas, rotinas. Quando estamos mergulhados na experiência com cada uma delas, quase sempre nos falta a valorização necessária do que já possuímos.

Muitos de nós precisamos, algumas vezes, ficar distantes de familiares para descobrir o quanto são importantes para nós. Há filhos que acabam precisando ficar distante dos pais por algum tempo, para reconhecer seu valor, seu amor profundo por eles.

 Alguns pais reconhecem apenas a falta que fazem os filhos, quando esses batem as asas na maturidade, e iniciam a construção de novos lares. Gonçalves Dias precisou estar distante de seu país, para reconhecer sua grandiosidade.

Nestes dias de tantas críticas ao nosso país natal. Numa época em que se desenvolveu o vício de falar mal sempre, sem o compromisso da crítica construtiva, educadora, é necessário pensar um pouco.

O literato brasileiro continua, em sua obra, dizendo: Nosso céu tem mais estrelas, nossas várzeas têm mais flores, nossos bosques têm mais vida, nossa vida mais amores.

Não há ufanismo pernicioso aqui, apenas a recordação de que precisamos valorizar mais o país onde tivemos a felicidade de reencarnar.

As leis maiores do Universo nos revelam que não nascemos aqui por acaso. Temos papel importante a cumprir nas engrenagens sociais e morais terrenas.

Amar o Brasil não significa elevá-lo acima dos outros. Não há necessidade de comparação para explicar o amor. Significa fazer de tudo, fazer a nossa parte, com desvelo e abnegação, na construção de uma sociedade melhor.

E para concluir, citando que a fonte  das informações sobre o poeta maranhense é redação do Momento Espírita , não nos esqueçamos que nossa terra tem Palmeiras, Flamengo, Corinthians, Santos, e muitos e muitos outros times, cujos torcedores são seres humanos, nossos irmãos, adversários futebolisticamente falando, mas não inimigos. Amemo-nos !

Akino Maringá, colaborador
Foto – Reprodução

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