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Ano novo, vida nova ?

“Ano novo, vida nova” é uma expressão popular que simboliza a esperança de renovação e recomeço com a chegada de um novo ano, incentivando reflexão, definição de metas, mudança de hábitos e desapego do que não serve mais, mas a verdadeira transformação vem de decisões e ações consistentes, não apenas da data. O conceito é usado em filmes (como “New Year’s Eve“), campanhas sociais (Operação “Ano Novo, Vida Nova” contra violência de gênero) e reflexões pessoais sobre um ciclo que termina e outro que começa, buscando um futuro melhor e mais justo. (IA).

      Ano novo é, quase sempre, um momento de expectativa, de sonhos, de promessas e previsões na maioria das vezes não se concretizam. A meta é ter sucesso, ser feliz, realizar-se. Mas o que isso de fato significa? Muitas vezes, na pressa de conseguirmos o que queremos, esquecemos de atentar aos detalhes e acontece a autossabotagem , que é um padrão de comportamento, consciente ou não, onde a pessoa cria obstáculos para si mesma. Agindo contra os seus próprios interesses e objetivos, como procrastinar, ter autocrítica excessiva ou duvidar da própria capacidade, gerando frustração e impedindo, muitas vezes por medo de falha, ou crenças negativas de merecimento.

      A autossabotagem manifesta-se em diversas áreas da vida ( estudos, trabalho, relacionamentos) e pode ser superada com autoconhecimento, terapia, e mudando padrões de pensamento e ação, focando em construir autoconfiança e identificar as raízes dos problema. Muitas vezes atropelamos o outro ou somos atropelados, como aconteceu em 2020, com a pandemia da Covid-19 e o ano novo que muitos sonhamos, com vida nova, foi, mas nem tanto positivamente. 

      Nem tanto positivamente? Como assim, devem estar se perguntando alguns. Foi tenebroso, com muitas perdas de vidas e na economia, foi horrível, dirão muitos. Concordo com isso, mas em tudo na vida, temos algo de positivo, mesmo nos piores momentos.

      Voltando ao título, à luz da filosofia espírita, aprendemos que estamos encarnados para aprender e evoluir. Venceremos os obstáculos desde mantenhamos o foco e construamos os aprendizados necessários. Para os projetos acontecerem, temos que agir em benefício da concretização. Na   perfeita criação divina, temos de fazer a nossa parte, para que o resto nos seja dado por acréscimo da misericórdia. Temos de ser proativos, pois a Lei Divina é sempre reativa. Ou se preferir, a toda consequência corresponde uma causa.

      Por outro lado, todos, de alguma forma  temos predileção  por exercícios de futurologia. Falamos do amanhã, fazendo planos, alguns mirabolantes, e nos vemos sempre em situação muito melhor – mas exatamente como somos hoje, apenas mais ricos, mais respeitados socialmente, em melhores condições de praticar a caridade material, em viagens infindáveis, em locais paradisíacos etc.

Nada contra o sonho, mas há um ponto nesses nossos sonhos que merece ser mais bem analisado. É aquela parte em que dizemos ou pensamos em estarmos lá adiante “exatamente como somos hoje”. E aqui vale uma provocação: será possível conseguirmos criar um mundo melhor se continuarmos o ser humano que somos hoje, com nossos comportamentos, defeitos e qualidades que formam nossa complexa personalidade? Ano novo é sinônimo de vida nova?

 E a resposta é clara: depende do que precisa ser mudado. Há muitas coisas a serem conservadas, preservadas, mas há comportamentos, ideias, visões de vida e de mundo que precisam ser adequadas a uma nova realidade, a um novo projeto de futuro, seja ele próximo ou distante. A experiência mostra a todos nós que mudanças rápidas e radicais não nos levam a lugar algum. As mudanças têm de ser conscientes, pensadas, refletidas.

Feliz ano novo, feliz vida nova, feliz futuro novo, mas feliz preservação também do que de bom existe. O ano é novo, a vida não. A vida é eterna, separada por  existências, ora com o corpo físico, como estamos hoje, ora no Mundo Espiritual, quando o corpo morre.

Akino Maringá, colaborador
Foto – Reprodução

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