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Se fosse conosco?

Aprendi com Haroldo Dutra Dias, juiz de direito, em Belo Horizonte, palestrante , divulgador da Filosofia Espírita e da integração entre ciência, filosofia e espiritualidade,  que  sempre que formos tomar uma decisão, agir em relação ao outro, devemos perguntar: E se fosse comigo? 

Fiz tal questionamento sobre a situação da  Venezuela , lendo  comentários, opiniões e  análises, inclusive de venezuelanos, trazendo para a 1ª pessoa do plural: E se fosse conosco ? Lembrei de falas, na campanha eleitoral de 2022, que com a eventual eleição de um dos candidatos, o Brasil viraria uma Venezuela. Na época eu disse que temia por isso, com continuidade do governo ,via golpe militar, e uma ditadura nos moldes da de Chaves e depois Maduro.

Ambos já foram elogiados pelas duas lideranças políticas responsáveis pela polarização no Brasil.  Bolsonaro em entrevista concedida em 1999, disse que “Chávez era uma esperança para a América Latina e gostaria muito que essa filosofia chegasse ao Brasil”, disse o parlamentar. Que achava ele impar. Que pretendia ir a Venezuela para conhece-lo, pessoalmente. Questionado sobre o que achava de Chávez ser apoiado na época pelos comunistas, Bolsonaro afirmou: “Ele não é anticomunista e eu também não sou. Na verdade, não tem nada mais próximo do comunismo do que o meio militar”. Ele também disse que o venezuelano remetia ao marechal Castelo Branco, primeiro presidente do Brasil durante a ditadura militar, entre 1964 e 1967’’.

Lula também elogiou Chaves em entrevista de 2005,   afirmando : “Eu não sei se a América Latina teve um presidente com as experiências democráticas colocadas em prática na Venezuela”, disse Lula. “Poder-se-ia até dizer que seu pais tem excesso de democracia.”Que Chávez “era meio demonizado no Brasil” e “comeu o pão que o diabo amassou nos seus primeiros quatro anos de mandato”. (…) E ainda  ironizou possíveis comparações entre ele e o líder venezuelano, ao dizer que “jamais poderia fazer as coisas que o Chávez faz” porque o venezuelano “era mais jovem” e o país dele “tem muito mais petróleo” do que o Brasil.

Maduro, igualmente, recebeu referências elogiosas de Bolsonaro, quando lhe interessou , ao defender, em 2024, o sistema de votação da Venezuela. Segundo ele, Nicolas Maduro começou a dar sinais de “eleições justas”, ao implementar uma urna de votação eletrônica, mas com o voto impresso no último plebiscito. Ressaltou, porém, que os principais opositores do país foram excluídos da corrida eleitoral no país por decisões da Justiça.

Já Lula, até a última eleição Venezuelana, quando não reconheceu o resultado, em diversas oportunidades demonstrou simpatia pelo ditador bolivariano, como em 2023,  ao dizer, durante visita de Nicolás Maduro ao Brasil,  que a Venezuela era “vítima de uma narrativa de antidemocracia e autoritarismo”. Que caberia à  ela mostrar a própria narrativa para que as pessoas mudassem de opinião.

E se fosse conosco? Se fosse o Brasil invadido e o presidente, fosse ele Lula ou Bolsonaro, sequestrado, qual seria nossa reação?  Se brasileiros morressem em eventual ataque? Se estivéssemos numa ditadura, como viveram muito venezuelanos, que precisaram deixar o seu país?

Devemos nos colocar no lugar, uns dos outros, em todas as circunstâncias. Só com empatia e solidariedade teremos um mundo melhor.

Volto ao ensinamento de Haroldo Dutra Dias, com a pergunta: E se fosse comigo, para lembrar da situação dos presos no Brasil, em especial um, Jair Bolsonaro. Lembro das pessoas que morreram com a Covid-19, dos que sofreram com terríveis males respiratórios. Das famílias que perderam entes queridos. Dos problemas econômicos  e do então presidente.

Sobre o ex-presidente, que reclama das condições de sua cela especial na PF, comparando com as de milhares de encarcerados por todo o Brasil, confesso um misto de pena e compaixão. Então lembro que está pagando por seus erros, mas: E se fosse comigo? E se o Brasil tivesse virado uma Venezuela?

Akino Maringá, colaborador

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