
O título é jogo de palavras para começar com uma reflexão sobre trecho do discurso de renúncia de Pepe Mojica, ao cargo de Senador, no Uruguai em 2020, e outras frases esparsas que juntamos para ampliar o que pensamos sobre o ódio: “No meu jardim, há décadas não cultivo o ódio. Aprendi uma dura lição que a vida me impôs. O ódio acaba deixando as pessoas estúpidas. Passei por tudo nessa vida, fiquei seis meses atado por um arame, com as mãos nas costas, fiquei dois anos sem ser levado para tomar banho e tive que me banhar com um copo. Já passei por tudo, mas não tenho ódio por ninguém e quero dizer aos jovens que triunfar na vida não é ganhar, mas sim se levantar toda vez que cair.”
E prosseguiu Pepe: “Eu tenho uma boa quantidade de defeitos, sou passional, mas não cultivo o ódio, pois aprendi que o ódio acaba idiotizando, porque nos faz perder objetividade frente às coisas. O ódio é cego como o amor, mas o amor é criador e o ódio nos destrói”.Aprendi que devemos “viver como pensamos”, valorizando o tempo para paixões e o cuidado com o próximo, além de críticas ao consumismo e à política tradicional. “A vida é tão bela que não faz sentido sacrificá-la por motivos estúpidos. No mais, sou grato.”
O verbo odiar não faz parte do meu vocabulário, prossigo eu. Sempre corrigi nossos filhos quando diziam, por exemplo, ‘ odeio brócolis’, ‘odeio jiló’, dizia-lhes que o correto é falar, não gosto de. Aprendi que a frase, ‘fulano não vale nada’, no fundo carrega um desprezo que pode se confundir com ódio. Todos os seres humanos são criaturas do Criador ( Deus), acredito, logo valem, pois o Criador não erra e nos criou a todos no mesmo patamar, espíritos simples e ignorantes, nos dando o livre arbítrio, para fazermos, na vida, o que quisermos. Erramos todos, mas uns erram mais, até que um dia todos seremos igualmente, bons e justos. Quantas encarnações serão necessárias, vai depender dos esforços de cada um.
Ódio é o contrário de amor? Não, o ódio geralmente não é considerado o contrário de amor. A maioria das interpretações filosóficas e psicológicas aponta que o oposto do amor é a indiferença. Enquanto o ódio ainda é uma forma de paixão intensa, focada e emocional, a indiferença representa a falta total de sentimento, interesse ou importância. Amor e ódio andam lado a lado na dualidade emocional, muitas vezes sendo dois lados da mesma moeda. Assim como o amor, o ódio consome energia, atenção e se importa com o outro, mesmo que de forma destrutiva.
Todos cometemos erros dos quais, infelizmente, às vezes demoramos muito tempo para despertar. Todo sentimento de ódio, um dia, dará lugar ao amor. Não há espírito que suporte a si mesmo nas vibrações infelizes de revolta e descrença. Mais cedo ou mais tarde, todos procuraremos ao Aprisco Divino, do qual voluntariamente nos afastamos, em nossos anseios de realização pessoal. A ilusão é uma loucura que nos possui a mente. A ambição do poder é doença da alma. O prazer desmedido é um abismo profundo ao qual nos arrojamos…
Jesus Cristo, o Mestre de Nazaré, nos recomendou amar até os inimigos e a filosofia espírita nos diz que isso é uma prática gradual que envolve não sentir ódio ou rancor, perdoar incondicionalmente. Assim, bolsonaristas cristãos não devem sentir ódio por petistas, e vice-versa, pois estamos falando de adversários políticos, que são oponentes em uma disputa, mas não deveriam ser inimigos. Há os que desconsideram todos que não são da sua ideologia radical, acusando-os de serem petistas ou bolsonaristas. Já houve até caso de mortes, por esse radicalismo, inadmissível num mundo civilizado.
Concluindo, reitero: ‘Odeio’ o ódio, e a palavra odeio, do verbo odiar, significa sentir aversão por algo, detestar, abominar. Amo o amor, do verbo amar. Amor (do latim amore) é uma emoção ou sentimento que leva uma pessoa a desejar o bem de outra pessoa ou a uma coisa. Como Mojica, não cultivo sentimentos de ódio, nem para os odientos.
Akino Maringá, colaborador
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