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Quaresma, jejum e religião

A quaresma, para o catolicismo, é o período de 40 dias que antecede a Páscoa, funcionando como um retiro espiritual para a preparação da maior festa do cristianismo, a Ressurreição de Jesus. Esse tempo é marcado por três pilares fundamentais: a oração, a caridade e o jejum Quando se fala em quaresma, lembramos, quase sempre a religião católica, cujas regras básicas, para seus fiéis,  para este período são jejum e abstinência de carne, pelo menos na quarta-feira de cinza e sexta-feira santa.

      O jejum não deve ser apenas a privação de comida, mas uma prática espiritual para fortalecer a alma sobre os desejos do corpo. Seus objetivos principais incluem: Ajudar a combater a gula e a redirecionar o foco para Deus. Despertar a compaixão por aqueles que passam fome involuntariamente. Deve servir, ainda, como sinal de arrependimento e desejo de conversão. É recomendada em todas as sextas-feiras, durante os quarenta dias, em memória do sacrifício de Cristo  De  acordo com a CNBB, a abstinência de carne  pode ser substituída por atos de caridade ou outras formas de piedade. Em resumo, para os verdadeiros católicos, a quaresma é um convite à reflexão interior e à mudança de vida, onde o jejum atua como um “remédio” para a alma, preparando-os para viver plenamente o mistério pascal.

      Para os protestantes, chamados de evangélicos, equivocadamente, penso, pois entendo que evangélicos somos todos, católicos, espiritas e os de todos os grupos chamados de cristãos, que seguem e buscam pautar suas vidas dentro dos ensinamentos de Jesus Cristo, repito , para os protestantes  luteranos, anglicanos e alguns grupos tradicionais originados da reforma liderada por Lutero ,  a quaresma é um período de  reflexão, oração, jejum e arrependimento, focado na preparação espiritual para a Páscoa. Diferente da visão católica, a observância é voluntária e voltada ao aprofundamento pessoal da fé, não como mandamento.

       Já o  Espiritismo não celebra, mas respeita todas as manifestações,  em que as  outras religiões convidam seus fiéis a meditação, a praticar penitências com jejum, caridade e oração. No entendimento Espírita, portanto, tem-se que a caridade e as orações devem ser parte constante da rotina do encarnado, bem como demais práticas que levem a reflexão espiritual e possíveis arrependimentos. Trata-se da prática da reforma íntima que deve ser levada a sério por quem  compreende a realidade da vida imaterial e imortal.

A  quaresma,   sendo um tempo de privações e mortificações, segundo a tradição, encontra explicações em O Livro dos Espíritos,  capítulo V, Lei de Conservação.  Na questão 720, lemos que as privações voluntárias, com objetivo uma expiação coletiva, têm mérito aos olhos de Deus, pois trata-se de fazer o bem ao próximo.

E continua aduzindo na questão 720-a, que são meritórias as que tem como condão a privar-se de gozos inúteis desprendendo, assim, o homem da matéria a fim de eleva-lo enquanto Espírito. “Meritório é resistir à tentação que induz aos excessos ou ao gozo das coisas inúteis.  É retirar de seu necessário para dar aos que não têm o suficiente. Se a privação não passa de um simulacro, é uma derrisão”.

 No espiritismo, o jejum físico de alimentos não é uma obrigação ou ritual, mas a doutrina valoriza o jejum moral e emocional. Foca-se na abstinência do orgulho, egoísmo, inveja e pensamentos negativos, visando o progresso espiritual e a reforma íntima. O verdadeiro jejum, para o espírita, é a caridade e a renovação de comportamentos. “Jejuar” de vícios, fofocas, raiva e ações contrárias à lei de Deus, e muito mais importantes do que abster-se de comer carne, por exemplo.

  Não importa a religião, se católica, protestante ou Espírita.  Religião, de   religare ,”religar” o humano ao divino, segundo o filosofo  Cícero,  relegere (“reler”), indicando o cuidado e a dedicação nos rituais , por isso, não tendo rituais, o Espiritismo  seria, para muitos,   mais filosofia que religião.

Akino Maringá, colaborador
Foto – Reprodução

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