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Maringá corre risco de desabastecimento

O mercado de combustíveis em Maringá enfrenta aumento expressivo nos preços e risco de desabastecimento, segundo alerta do presidente da Cooperativa dos Motoristas de Aplicativos de Maringá, Natan Brandão. Ele afirmou que a situação se intensifica devido à especulação no mercado e à paralisação temporária das distribuidoras de gasolina e diesel, que aguardam ajustes de preços motivados pelas tensões internacionais.

“As distribuidoras estão segurando seus estoques, e algumas nem têm produto disponível. Já não conseguimos comprar pelo preço anterior. Cada cotação que fazemos vem com valores diferentes. A notícia é que eles não conseguem atender, porque o produto não existe”, disse Brandão. Segundo ele, a cooperativa, que conta com 4.500 associados, deve conseguir algum fornecedor apenas na tarde desta quarta-feira, mas com preços “exorbitantes”.

O alerta ocorre em meio à instabilidade gerada pela guerra no Oriente Médio e pela situação no Estreito de Hormuz, rota estratégica que concentra cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados globalmente. A paralisação das distribuidoras já provocou falta de combustíveis em outras regiões, como o Nordeste, e preocupa motoristas em Maringá quanto ao abastecimento local.

Além da escassez, os preços já subiram significativamente. Brandão exemplifica que a gasolina, que custava R$ 5,40 o litro para os associados, já alcançou R$ 6,19, com expectativa de novas altas. Ele alerta que, caso as distribuidoras adotem vendas em quantidades reduzidas, a cooperativa também precisará limitar a distribuição para evitar que o mercado local fique sem combustível.

O cenário também acende o sinal vermelho para o setor agropecuário do Paraná e nacional. Segundo o Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), o diesel é um insumo essencial, presente em todas as etapas da produção agrícola e no transporte de insumos e produtos.

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, alerta: “O diesel está presente em praticamente todas as etapas da produção e da logística. Já temos relatos de que o combustível está faltando em entrepostos no interior do Paraná.”

Levantamento do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP aponta que 73% da energia utilizada na agropecuária brasileira provém de combustíveis fósseis, principalmente diesel, utilizado em máquinas agrícolas e no transporte rodoviário. No Brasil, mais de 60% da movimentação de cargas depende de transporte rodoviário, incluindo grãos, fertilizantes, ração e outros insumos, sendo que 29% do diesel consumido é importado.

PROCON

O Procon Maringá divulgou, na última semana, a pesquisa de preços de combustíveis que aponta aumento de 0,46% no preço médio da gasolina comum, passando de R$ 6,53 para R$ 6,56. O levantamento abrangeu 81 postos de combustíveis da Cidade e considerou os preços à vista de gasolina comum, gasolina aditivada, etanol comum, diesel S10 e diesel S500.

O menor preço da gasolina comum encontrado foi R$ 5,99, enquanto o maior chegou a R$ 6,79, uma diferença de 13,36% entre os postos. Entre os outros combustíveis, o preço médio registrado foi de R$ 6,71 para gasolina aditivada, R$ 4,65 para etanol, R$ 6,30 para diesel S10 e R$ 6,10 para diesel S500.

Segundo a diretora do Procon, Coronel Audilene Rocha, a alta já era prevista:
“A elevação no preço do barril de petróleo no mercado internacional reflete diretamente nos combustíveis no Brasil, especialmente porque ainda dependemos de importações em parte da cadeia de abastecimento.”

Alexia Alves
Foto – Reprodução

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