
Quando cheguei a Maringá, em 1955, o primeiro prefeito, Inocente Villanova Júnior, estava iniciando o terceiro ano do seu mandato. Porém ainda se falava bastante da eleição que inaugurou a história política do município.
O pleito, ocorrido após uma campanha bem “da pesada”, dera a vitória a Villanova (do PTB) com uma diferença de apenas 200 votos sobre o segundo colocado, Waldemar Gomes da Cunha (da UDN).
Juntamente com o primeiro prefeito foram eleitos os primeiros vereadores. Pelo PTB: Jorge Ferreira Duque Estrada, Arlindo de Souza, Joaquim Pereira de Castro. Pelo PR: Basílio Sautchulk, Mário Luiz Pires Urbinati, José Mário Hauari. Pela UDN: Malachias de Abreu, Napoleão Moreira da Silva, César Haddad.
A posse dos eleitos deu-se no dia 14 de dezembro de 1952, com uma festiva programação, que começou de manhã com missa solene na igreja matriz, prosseguiu ao meio-dia com um almoço no Aero Clube e teve o auge no meio da tarde, com a primeira reunião da primeira Câmara Municipal. Por falta de sede própria, a cerimônia realizou-se nas dependências da Agência Chevrolet.
Houve, porém, logo de início, o primeiro impasse: qual dos nove edis iria presidir a reunião? A dúvida seria se a presidência ficaria com o mais votado ou com o mais idoso. Decidiram resolver no voto. A contagem estava em 4 a 4. O último a votar foi Malachias de Abreu, que com a maior naturalidade disse:
– Voto em mim mesmo!
Como o mais votado, “coincidentemente”, era ele próprio, Malachias assumiu de imediato o comando da solenidade e abriu a pauta, que constou de dois itens: 1. Eleição da mesa executiva do legislativo para o mandato a ser iniciado em janeiro (foi eleito Arlindo de Souza para a presidência, com 7 votos); 2. Posse do prefeito Villanova Júnior, com os discursos e juramentos de praxe.
A programação se completou à noite com um baile de gala que reuniu no Aero Clube, em alto estilo, a gente ilustre da jovem urbe – os homens de terno e gravata e as senhoras e senhorinhas com os seus elegantes vestidos longos.
Bela história, que ouvi várias vezes, contada pelos amigos pioneiros Antônio Mário Manicardi, Antenor Sanches e outros.
A. A. de Assis
Foto – Reprodução
