
A vida adulta exige muito de nós. O mundo cobra certezas, energia, motivação. Cobra resultados. Cobra postura de vencedor e geralmente não tolera fraquezas.
É fato que o discurso pode ser outro – de acolhimento, incentivo, empatia -, mas, na prática, todo mundo sabe que há pouco espaço para quem não está sempre performando em alto nível.
O peso dessas exigências adoece. Por isso, para não quebrar, precisamos fazer alguns acordos internos. Acordos com a nossa consciência. Acordos que nos levem a aceitar que cuidar de nós mesmos pode custar promoções, perdas de clientes e de oportunidades, mas que salvam nossa vida.
A escritora espanhola Pilar Jericó listou sete posturas para mudar a forma como encaramos o mundo. São atitudes de coragem que resgatam a nossa humanidade e que são demonstrações de respeito e cuidado por nós mesmos.
O primeiro acordo: liberte-se do que não serve mais. Um emprego que suga a sua paz. Um relacionamento que virou prisão. Um hábito antigo. Muitas vezes, seguramos algo por medo. Mas o custo de manter o que não nos faz bem é altíssimo. O espaço precisa ser esvaziado para o novo entrar. Quem carrega peso inútil não tem energia para avançar.
O segundo: tenha a coragem de não pertencer. O ser humano tem uma necessidade desesperada de aprovação. Queremos fazer parte de algum grupo a qualquer custo. Mas pagar o preço da aceitação anulando a própria identidade é um erro grave. Não tenha medo de ser a voz dissonante na mesa. Quem tenta agradar a todos, frustra a si mesmo. A nossa integridade vale muito mais do que a mera aceitação. Quando a aceitação é de um personagem que precisamos construir, não há pertencimento de fato.
O terceiro: aceite mudar de ideia. Mudar de opinião diante de fatos novos não é fraqueza. É sinal de inteligência. As informações não para. O contexto muda. Quem não ajusta a própria visão fica preso na ignorância. Fica defendendo o indefensável por puro orgulho. Pessoas maduras atualizam suas convicções. A teimosia cega é o caminho mais rápido para a estagnação.
O quarto acordo: admita que não sabe. Dizer “eu não sei” não te apequena. Não te faz um fracasso diante da equipe. O mercado exige respostas prontas, é verdade. Mas gente adulta reconhece o próprio limite. A vulnerabilidade gera confiança, enquanto o fingimento destrói a credibilidade. Assumir a ignorância é o primeiro passo para o aprendizado.
O quinto: enfrente conversas difíceis. Fuja do conforto de conviver apenas com quem concorda com você. A bolha da concordância cria adultos infantis. O confronto respeitoso de ideias constrói a maturidade. Escutar argumentos opostos aos seus fortalece o raciocínio. O atrito intelectual é fundamental. Ele lapida a nossa visão de mundo e destrói o preconceito.
O sexto: force a pausa antes de reagir. Lembra da nossa conversa sobre o sequestro emocional? É exatamente isso. O sangue ferveu? Respire. O instinto manda atacar, mas a inteligência manda esperar. Dê tempo para o cérebro racional assumir o controle da situação. A pausa de cinco segundos salva relacionamentos. O silêncio estratégico evita o arrependimento.
E o sétimo acordo: busque sentido, e não apenas números. A sociedade cobra a meta batida a qualquer custo. Mas o resultado vazio, sem um propósito maior, adoece a mente. Nós vimos isso dias atrás, analisando a exaustão da nossa juventude. O que sustenta a jornada de verdade é o propósito diário. O dinheiro paga as contas. Mas apenas o sentido naquilo que você faz te dá vontade de levantar da cama.
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Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras | Doutor em Educação
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