
Cerimônia de premiação dos Jogos Florais de 2011 em Santos-SP. Encerrada a solenidade, um senhor de uns setenta anos, que estava no auditório, veio conversar comigo. Disse que se emocionara quando fui chamado para receber um dos troféus e me apresentaram como residente em Maringá.
Contou que estivera em Maringá em meados dos anos 1970 e aqui passara por uma experiência marcante. Viera de Santa Catarina programado para fazer concurso como candidato a uma vaga de professor na UEM.
Como estava com pouco dinheiro, hospedou-se num hotel bem simples. Naquela noite chovia muito e o frio era de rachar. Ele acordou fortemente resfriado, tremendo e com febre alta, sem condição de se apresentar para as provas na universidade.
Sozinho e enfermo num lugar desconhecido, quase entrou em desespero. Foi quando se lembrou de um ex-colega marista que morava em Maringá. Com ajuda do gerente do hotel, conseguiu localizar o amigo por telefone.
Poucos minutos após, o ex-confrade chegou para oferecer seus préstimos e de pronto o levou à Santa Casa, onde recebeu o tratamento adequado.
Foi liberado, mas o amigo não permitiu que ele continuasse no hotel. Levou-o para a casa dele, emprestou-lhe um casaco e só o deixou viajar de volta para Santa Catarina dois dias depois.
Enfrentara uma situação realmente difícil, perdera o concurso, porém recebera uma comovente demonstração do quanto vale uma boa amizade. Três meses depois, fez outro concurso, dessa vez em Ribeirão Preto. Foi aprovado e lá permaneceu até o final da carreira. Agora, aposentado, estava residindo em Santos com a esposa, filhos e netos.
Mas você deve estar curioso, querendo saber quem foi o anjo da guarda que socorreu o colega, também ex-irmão marista, num momento de aflição.
Foi o saudoso e queridíssimo professor Agostinho Baldim, de quem tive a honra e o privilégio de ter sido aluno e depois colega de departamento na UEM.
A. A. de Assis
Foto – Reprodução
