
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Maringá (UEM) registrou, em 2025, 193 notificações de acidentes com aranhas na Cidade e região. O número supera os 152 casos contabilizados ao longo de 2024, um aumento superior a 20%.
O setor é responsável pelas notificações da 15ª Regional de Saúde do Paraná e concentra atendimentos em Maringá e municípios vizinhos. Entre os registros, a maior parte envolve aranhas não identificadas, com 121 ocorrências. Também foram contabilizados 44 casos de aranha armadeira, 15 de aranha-marrom (loxosceles), nove de aranha de jardim (lycosa) e dois envolvendo caranguejeiras e viúvas marrons (latrodectus).
De acordo com a coordenadora do CIATox, a enfermeira Márcia Guedes, a aranha armadeira é a espécie que mais preocupa do ponto de vista da saúde pública na região. “É uma aranha peçonhenta e reativa, que assume postura de ataque quando se sente ameaçada”, explica. Segundo ela, devido à ampla presença da espécie no país, parte dos casos sem identificação pode estar relacionada à armadeira, embora isso não possa ser confirmado.
A aranha-marrom também exige atenção. De comportamento menos agressivo, costuma atacar quando comprimida contra o corpo, como ao vestir roupas ou calçados. A picada, geralmente indolor no momento do acidente, pode apresentar sintomas horas depois, como bolhas, inchaço e sensação de queimação.
Entre as principais instruções para evitar acidentes estão sacudir roupas, lençóis e calçados antes do uso e manter a limpeza de ambientes internos e externos. A recomendação também inclui evitar acúmulo de materiais como madeira e folhas secas, além de controlar a presença de insetos, que servem de alimento para as aranhas.
Em caso de picada, especialistas orientam manter a vítima em repouso, com o membro afetado elevado, e lavar o local apenas com água e sabão. A procura por atendimento médico deve ser imediata. Sempre que possível, a recomendação é registrar uma imagem do animal para auxiliar na identificação, sem colocar outras pessoas em risco.
O CIATox alerta ainda para práticas que devem ser evitadas, por exemplo, o uso de torniquetes, a tentativa de sugar o veneno ou a aplicação de substâncias caseiras no local da picada, que podem agravar o quadro.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica mantém atendimento 24 horas por dia, todos os dias da semana, pelo telefone e WhatsApp (44) 3011-9127. O serviço funciona no Hospital Universitário da UEM, na Avenida Mandacaru.
Ao acionar o atendimento, é importante informar dados como idade e peso da vítima, horário e local do acidente, além da descrição dos sintomas, para agilizar a orientação e o encaminhamento adequado.
Mari Parma
Foto – Reprodução
