
A vítima era pastor, radialista e à noite trabalhava como motoboy para reforçar o orçamento familiar
Alex Batista Pereira foi atropelado por um carro que invadiu a preferencial na Zona 2 e fugiu sem prestar socorro. Vários motociclistas, indignados com o ocorrido, procuraram o endereço do condutor do carro e ao localizar a casa dele, foram até lá protestar. Chegaram a jogar pedra no imóvel, quando o motorista atropelador apareceu na janela armado de pistola .380 e disparou contra os manifestantes. Ninguém ficou ferido, porém ele acertou um tiro no carro de reportagem da Rede Massa de Televisão.
O pastor e radialista Alex Batista Pereira, de 31 anos, morreu na noite de sábado, poucos meses depois de chegar em Maringá, vindo de Regente Feijó, no interior de São Paulo. Aqui, ele dirigia cultos em uma igreja evangélica, trabalhava como apresentador de programas na rádio pentecostal Deus é Amor e à noite fazia bico no sistema delivery, entregando pizza. Quando foi atropelado Alex trafegava pela Rua Martim Afonso (preferencial) e foi colhido na esquina da Felipe Camarão.
O condutor do carro fugiu sem prestar socorro, porém vários motoboys, que chegaram ao local pouco depois, acabaram descobrindo o endereço do motorista. Foram até a casa dele protestar e além da palavra de ordem “queremos justiça”, alguns jogaram pedra no imóvel. Foi quando o morador saiu na janela armado e começou a atirar nos populares, que correram para se proteger. Um dos tiros atingiu o carro de reportagem da Rede Massa, que cobria o fato junto com equipes de outras emissoras. Motociclistas e motoboys prestaram homenagens a Alex Batista Pereira num cortejo de despedida domingo à noite.
Atropelador continua preso
O motorista que atropelou e matou o pastor Alex Batista continuava preso até o final da tarde de ontem. Márcio Fantin Marcelino foi detido após atirar contra motociclistas que foram protestar em frete à sua casa. Os tiros não acertaram ninguém. Márcio, que possui registro de CAC (Colecionador, Atirador e Caçador), teria efetuado três disparos na direção dos manifestantes.
Em depoimento na 9ª. SDP, o suspeito disse que chovia muito na hora do acidente e que não percebeu a aproximação do motociclista. Afirmou que foi orientado por um morador a deixar o local para evitar um possível linchamento. Ao ser questionado pelo delegado Luiz Henrique Vicentini sobre os disparos, Márcio ficou em silêncio. Ele foi autuado por crime de homicídio culposo no trânsito com qualificadora por embriaguez ao volante.
Da Redação
Foto – André Almenara
