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Professor Leônidas

Leônidas Querubim Avelino, PhD em Literatura Portuguesa pela Universidade Harvard. Decerto se lembram dele os seus muitos ex-alunos do curso de Letras da UEM. Também decerto se lembram dele os muitos eleitores que lhe deram uma cadeira em nossa Câmara Municipal nos anos 1970. Igualmente decerto se lembram dele os que o ajudaram a ousadamente promover um Congresso Camoniano em Maringá em 1972.       

     Lembro-me dele por esses e por vários outros bons motivos. Especialmente pela sua capacidade de transformar a aula em show. Como aconteceu numa certa vez em que uma de nossas colegas disse saber “de cor” vários sonetos do maior poeta lusitano. O professor Leônidas cumprimentou-a: “Muito bem. Que bom trazer no coração tamanha riqueza”.

     Fez uma pausa… Continuou: ‘”Saber de cor’… em francês ‘savoir par coeur’…  em inglês ‘to know by heart'”…  E esticou a conversa.             

     Primeiro lembrou que “cor” (“cor, cordis”) é coração em latim. Depois explicou que para os antigos o coração (não o cérebro) era a sede da memória e da inteligência. Daí vem a expressão “saber de cor*, como vêm também os verbos “decorar” (memorizar) e “recordar” (trazer de volta à memória).

     Mas não parou aí. Falou também da relação do coração com os sentimentos e emoções. Na verdade, tudo parte do cérebro, porém o coração repercute o que a gente sente: nossos sustos, nossos sofrimentos, nossas alegrias.

    Deu outras dicas: “acordo” (“ad cordis”) e “concórdia” (“cum cordis”) significam corações em sintonia, harmonia de vontades. Já “discórdia” (“dis-cordis”) é o contrário: significa corações em posições opostas, desarmonia.

     Da mesma família temos ainda cordial (de coração), cordialidade, cordialmente, cordiforme (em forma de coração), coragem (bravura de coração).

    Mas a língua tem caprichos que nem sempre conseguimos entender. No vocabulário dos médicos e de outros profissionais da área de saúde o coração esquece a ancestralidade latina (“cor, cordis”) e adota a ascendência grega (“cardio), e daí temos cardíaco, cardiologia, taquicardia, eletrocardiograma etc. 

A. A. de Assis
Foto – Reprodução

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