
No Dia do Migrante, celebrado ontem, 25, Maringá destaca sua posição como uma das cidades paranaenses que mais acolhem estrangeiros em busca de novas oportunidades. Apenas neste ano, 538 imigrantes de 23 nacionalidades foram recebidos pelo município, sendo 327 venezuelanos. O cenário acompanha a realidade do Paraná, que atualmente abriga mais de 93 mil pessoas vindas de outros países, segundo a Polícia Federal.
O crescimento da população migrante tem exigido a ampliação das políticas públicas de atendimento e integração social. Em Maringá, o trabalho é coordenado pela Secretaria da Juventude, Cidadania e Migrantes (Sejuc), que oferece suporte para regularização documental, acesso ao mercado de trabalho e orientação sobre direitos e serviços públicos.
Os números dos últimos anos demonstram a intensificação desse movimento. Em 2025, entre janeiro e novembro, mais de 1,3 mil pessoas de 34 nacionalidades foram acolhidas no município, um aumento de 44,4% em relação ao ano anterior. A Venezuela liderou a lista de países de origem, com 839 pessoas atendidas, seguida por Haiti (164), Cuba (138), Colômbia (78) e Paraguai (68).
No mesmo período, a Prefeitura realizou mais de 1.400 atendimentos especializados voltados à população migrante, incluindo apoio junto à Polícia Federal para regularização de documentos, encaminhamento para oportunidades de emprego e informações sobre acesso à saúde, educação e assistência social.
Durante a Semana do Migrante, a Secretaria da Juventude, Cidadania e Migrantes destaca a importância de fortalecer as ações de acolhimento e integração. Segundo a pasta, migrar significa muito mais do que atravessar fronteiras: envolve deixar para trás familiares, cultura e referências em busca de segurança, oportunidades e dignidade.
“O acolhimento vai além da ajuda material. Significa reconhecer a dignidade humana, respeitar culturas e criar oportunidades para que essas pessoas possam reconstruir suas vidas”, destaca a Secretaria.
Apesar dos avanços, os desafios permanecem significativos. Entre os principais obstáculos enfrentados pelos migrantes estão a barreira do idioma, dificuldades na obtenção de documentação, acesso à moradia, inserção no mercado de trabalho e episódios de preconceito e discriminação.
Por outro lado, as instituições responsáveis pelo acolhimento também enfrentam desafios relacionados ao aumento da demanda por serviços e à necessidade de desenvolver ações com sensibilidade cultural e recursos muitas vezes limitados.
Especialistas apontam que, quando adequadamente acolhidos, os migrantes contribuem para o desenvolvimento econômico, cultural e social das cidades que os recebem. Em Maringá, muitos venezuelanos têm encontrado oportunidades de emprego em diversos setores da economia, além de participarem ativamente da vida comunitária.
Alexia Alves
Foto – Reprodução
