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Consistência: o que ninguém te conta sobre chegar lá

Dá uma espiadinha nas redes sociais… Veja ali os conteúdos que tratam de carreira, desenvolvimento pessoal… Qual a impressão que você tem depois de olhar meia dúzia de posts, de vídeos? Acho que irá concordar comigo: a impressão que se tem é a de que é possível transformar a sua vida em pouco tempo. Em tempo recorde.

Já conhecemos bem esse discurso. O curso intensivo que garante uma nova carreira em três meses. O método que vai revolucionar os seus relacionamentos num fim de semana de imersão. A técnica milagrosa de produtividade que vai mudar tudo a partir de segunda-feira.

E muita gente embarca. Porque a promessa é tentadora. Porque a gente quer acreditar que existe um atalho. Mas existe um problema sério nessa promessa. Ela confunde esforço pontual com transformação real. E essas são coisas muito diferentes.

Esforço pontual é aquele pique de janeiro — a academia lotada, a geladeira cheia de verduras, frutas, legumes, a determinação renovada. É real, é sincero, mas dura pouco. Porque foi construído na empolgação, na ilusão de que basta querer, cumprir cinco passos apresentados pelo influenciador e tudo dará certo. Porém, quando a empolgação passa — e ela sempre passa — o que sobra é a rotina de sempre.

Transformação é outra coisa. Ela não tem data de lançamento, não gera post nas redes sociais, não provoca aplausos. Ela acontece devagar, em silêncio, na repetição diária de escolhas pequenas que quase ninguém nota — nem você mesmo, no curto prazo.

Cristiane Junqueira, co-fundadora do Nubank, diz uma coisa que eu gosto de repetir: resultados extraordinários requerem esforços extraordinários. Mas o esforço extraordinário não é aquele dia em que você deu o máximo. Não se trata de trabalhar 14 horas, 16 horas por dia. Nada disso. Estamos falando do esforço sustentado ao longo de cinco, dez, vinte anos. Estamos falando de consistência.

É exatamente aí que a maioria das pessoas tropeça. Não falta conhecimento. E, sejamos sinceros, nunca faltou tanto conhecimento disponível quanto hoje. Falta consistência. Falta a disposição de fazer, sem glamour e sem aplausos, o que precisa ser feito — hoje, amanhã, e depois de amanhã.

Pensa na sua própria história. Será que você começou algo com tudo — e parou quando o entusiasmo esfriou? Provavelmente, não foi porque você é fraco ou incapaz. Mas porque faltou gente para te lembrar que o entusiasmo da largada não é o combustível que leva até a chegada. O entusiasmo inicial serve para o primeiro passo. Entretanto, o que leva até o fim é outra coisa — é disciplina, é hábito, é a decisão renovada a cada manhã de continuar mesmo quando não dá vontade.

E isso é difícil porque vivemos numa cultura que celebra o começo e ignora o meio. Todo mundo quer saber como você começou, como você chegou lá. Ninguém conta os anos de trabalho silencioso entre o ponto de partida e o resultado. Os dias de tédio, de falta de resultados, da ausência de avanços visíveis… Essa parte não aparece nas entrevistas, não rende vídeo, não tem like. Não há glamour durante a jornada.

Contudo, não há resultado sem consistência. É preciso se dispor a pagar o preço de dias em parece que nada vai dar certo. E ainda assim seguir adiante, acreditando.

A consistência se constrói. Não depende de talento especial, não é privilégio de poucos. Ela começa com uma decisão pequena, repetida. Um passo hoje. O mesmo passo amanhã. E no dia seguinte, e no outro, no outro…

Entenda: a vida não vai mudar num fim de semana. Mas pode mudar em cinco anos — se você decidir, a partir de hoje, ser consistente em ações com propósito. Essa é a diferença entre quem chega e quem fica pelo caminho. O resultado, lá na frente, vai falar por você.

Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras | Doutor em Educação

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