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Deus é…  mas não é …

        Lembro de um quadro que existia na casa dos meus avós paternos,  com a figura de um velhinho de longas barbas branca,  com o nome Deus, escrito em letras maiúsculas. Para nós, crianças de menos de 10 anos,essa era a imagem de um Deus, bom, mas ‘brabo’, que não toleraria nossos erros.

        Aprendi, também, que não poderíamos ‘tomar seu santo nome em vão’, o que significava que não o deveríamos ficar falando, por qualquer coisa. Mas isso parece que foi esquecido e , hoje, na política o  nome de Deus aparece como marketing, para enganar os fiéis da ‘seitas partidarias’.

        Na quarta- feira da semana passada, pouco antes do jogo da seleção brasileira, Michelle Bolsonaro, que é uma política que usa e abusa da religião, publicou um vídeo muito bem produzido, supreendentemente reclamando do seu enteado, candidato a presidente, mais do que  falando de Deus e Jesus, e uma frase  dele, em resposta, indiretamente, me chamou muito a atenção.  ‘Deus  tem um projeto para o Brasil’, querendo afirmar que esse projeto é o título mundial, e certamente de sua eleição.

        Pensei, pensei: Quem é ele, que ao que consta nem é um praticante de qualquer religião e nem sabemos se acredita, verdadeiramente, na existência de Deus?  A propósito de acreditar, ou não, na existência de Deus, apareceu para mim postagem de Getúlio Valls que vou resumir aqui.  Escreveu ele:

        ‘Eu não acredito que Deus exista. Nunca acreditei, nem por um segundo. Isso significa que Deus não existe? Não. Da mesma forma, o fato de você acreditar nele também não significa que ele exista. No fim das contas, estamos diante de duas posições que não podem ser demonstradas de forma definitiva. Você acredita que existe. Eu acredito que não. Nenhum dos dois pode provar sua posição de maneira irrefutável. E está tudo bem.

Não tenho em absoluto nada contra crenças. Ao contrário. Acredito que elas podem trazer conforto, propósito e esperança para muitas pessoas. Crença é algo profundamente pessoal e, quando permanece no campo pessoal, merece respeito. O meu problema nunca foi a crença. Meu problema é a religião. Sou contra qualquer instituição que diga às pessoas como elas devem viver, amar, votar, pensar ou agir com base exclusivamente em uma crença que não pode ser comprovada objetivamente.

Também sou contra a postura de quem acredita possuir um monopólio da verdade. Gente que se considera moralmente superior apenas porque pertence a determinada religião e trata quem pensa diferente como alguém “perdido”, “cego” ou “condenado”. É exatamente aí que o cristianismo, especificamente, costuma me incomodar. Não pela figura de Jesus, mas pela afirmação de que “só Jesus salva” ou que “Jesus é o único caminho”. Não. Não é. Jesus pode ser o SEU caminho. Foi a escolha que você fez para sua vida, e isso merece respeito.’

E prossigo eu, que acredito em Deus, respeitando as convicções do Getúlio,  para falar de outra situação,  em que um amigo pediu para explicar, com base na Doutrina Espírita,  porque ‘Deus  castiga’ pessoas que sempre foram boas, frequentadoras da igreja, benevolentes, e ao final de uma existência de mais de 90 anos, parecem sofrer sem merecer.

Volto ao título para dizer que Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, segundo resposta de entidades superiores, a Alan Kardec, por intermédio de médiuns confiáveis, na codificação da Doutrina Espírita em 1857. Seus atributos são: Eterno, Imutável, Imaterial, Onipotente, Onipresente, Único, Soberanamente Bom e Justo.

  Deus não é uma figura humana ou um ser antropomórfico, ou seja, com emoções ou comportamentos humanos, não entendidos por esses. Não castiga, não é vingativo, não se ofende, não é ‘subornável’ por promessas. Suas leis são perfeitas e de aplicação   automática, dentre as quais a da reencarnação ( um dogma),  é uma espécie de repetição de ano escolar, sem lembramos das matérias onde fomos reprovados. Sem ela é impossível entender uma justiça onde não há injustiçados.

Akino Maringá, colaborador
Foto – Reprodução

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