
Há tropeços que podem resultar em felizes recomeços. Graças a um deles – uma trombada com um trem – Maringá foi premiada com um precioso presente: veio recomeçar a vida aqui um dos nossos mais queridos pioneiros.
Catarinense nascido no dia 22 de junho de 1917 em Capinzal, em 1950 Emílio Germani residia em Videira, após haver morado durante algum tempo em Caxias do Sul. Em Videira ele era já um homem importante, exercendo alta função na empresa Ponzoni Brandalise, que mais tarde se tornaria a Perdigão.
Deu-se, porém, o inesperado: numa noite de chuva, ao atravessar de jipe a linha férrea, foi atropelado por um trem, o que o obrigou a ficar 40 dias no hospital. Ao receber alta, pediu mais 10 dias de licença e aproveitou para vir conhecer o norte do Paraná, eldorado do qual muito se falava na época. Ele chegou exatamente no dia 15 de agosto, dia de Nossa Senhora da Glória, padroeira da cidade. Maringá estava novinha ainda.
Ao passar em frente ao escritório da Companhia Melhoramentos, Germani viu um montão de gente entrando e saindo. Entrou, foi conversar com um dos corretores. Comprou um terreno na Av. Mauá, mais uma chácara nos arredores e alugou um salão na Av. Paraná. Voltou a Videira, contou as novidades a Dona Elza e no dia seguinte apresentou aviso prévio à firma onde trabalhava.
Dois meses após já estava em Maringá de mala e cuia, em companhia do seu irmão Guido. Montaram primeiro um escritório de representações, depois uma fábrica de camas, depois uma cafeeira, e alguns anos mais tarde entraram no ramo do milho. Logo cresceram e se tornaram grandes industriais, com prestígio internacional. Uma história de gente forte, parecida com a de tantos outros peitudos que ajudaram a construir esta cidade.
Conheci Emílio Germani em 1955, pouco depois que aqui cheguei. Ele já era um vitorioso empresário, participante ativo de todas as entidades aqui existentes, entre as quais a Santa Casa, a Associação Comercial, o Rotary Club. E ainda achava tempo e fôlego para escrever ótimos artigos para os nossos primeiros jornais e revistas.
Para mim foi uma bênção tê-lo conhecido e com ele convivido durante muitos anos nas reuniões de Rotary, na Academia de Letras de Maringá e em muitos e inesquecíveis encontros. Ele era um sábio, um homem bom, um modelo de cidadania. Despediu-se de nós no dia 2 de junho de 2010.
A. A. de Assis
Foto – Blog do Rigon
