Deus é único, e não pune

A ideia desta reflexão, surgiu da constatação que há pessoas que ainda dizem: ‘Cuidado, o Deus que o conheço (…), querendo dizer que existe o ‘seu Deus’, capaz de punir quem as contrarie , interpretando de modo diferente, apontando equívocos em sua atuação, profissional, da qual o interlocutor é parte.
Deus é único, aprendi e creio, logo não pode haver o Deus que eu conheço, o ‘meu Deus’, expressão de exclamação que muitos usamos em situações em que ficamos pasmos, perplexos, como na constatação acima citada. Meu Deus denota um sentimento egoístico, de posse, o que não é compatível com os ensinamentos cristãos. Aprendi com o Sr. Garcia, companheiro de estudos e trabalhos no C.E. Jesus de Nazaré, que devemos usar muito mais o primeiro pronome do plural ( nós/ nosso) e menos do singular ( eu/meu). Assim em vez do meu Deus, o correto em pensarmos em nosso Deus. Deus é nosso, nosso Pai, como nos ensinou o Mestre de Nazaré, na única oração não espontânea que nos recomendou e que começa com a frase: Pai nosso que estais (…),
Deus não pune, explica-nos Fábio Dionisi em artigo na Folha Espírita, Cairbar Schutel, que assim resumimos:
Pena, punição, castigo, expiação, palavras que expressam a questão. Em O Evangelho segundo o Espiritismo, encontramos: “O homem suporta sempre as consequências das suas faltas. Não há uma só falta à lei de Deus que não tenha punição. ” Nele encontramos que a severidade do castigo é proporcional à gravidade da falta. E que a duração do castigo, para qualquer falta cometida, não tem prazo marcado, uma vez que depende somente do arrependimento do culpado e seu retorno à senda do bem.
Parece contraditório com o título, digo eu, mas vejam que se analisarmos bem, está dito que não há uma só falta à lei de Deus, que não tenha punição. Deus não pune, as punições são automáticas, decorrentes da infringência à lei divina, imutável, insubstituível, não sujeita a emendas, anistias. Assim como, podemos dizer, na justiça dos homens, que não é o juiz quem condena, apenas interpreta e aplica a lei e hoje boa parte das sentenças já são elaborados por IA, ( inteligência artificial), sujeitas a erros, reformas, correção e injustiças, na Justiça de Deus, as sentenças são automáticas, aplicadas por IS (Inteligência Suprema). Não é Deus quem pune.
Que é Deus? É a 1ª questão do LE, que foi assim respondida por Espíritos Superiores: Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas. Entendeu? Entender a definição, não é tão difícil, mas entender Deus e seus atributos é missão impossível para todos nós, encarnados na Terra, no atual nível de adiantamento. Vou repetir o que já disse em outras oportunidades. Como entender um SER ‘incriado’, o que significa que Ele não teve um princípio, não foi feito por ninguém e existe por si mesmo desde sempre, segundo a teologia e filosofia clássicas. Que é onipotente, onisciente, onipresente.
Voltemos às explicações de Fábio Dionisi, sobre Deus não punir. Deus não decretou que vamos sofrer e, muito menos, por quanto tempo. Apenas, estabeleceu leis, e as colocou em todos nós, para que as conhecêssemos e as respeitássemos. Nossa consciência incumbe-se de nos acusar, até que restabeleçamos o equilíbrio. Embora a Justiça Divina seja, inexoravelmente, exercida, sempre existem atenuantes para quem já conquistou o remorso e se dispôs a percorrer os caminhos do resgate e da regeneração pessoal. Neste ponto, caso a dúvida ainda perdure (“Deus pune a sua criatura?), leiamos um trecho em O Espírito da Verdade, em “Nem castigo nem perdão”: “Deus é Equidade Soberana, não castiga nem perdoa, mas o ser consciente profere para si mesmo as sentenças de absolvição ou culpa ante as Leis Divinas. Nossa conduta é o processo, nossa consciência o tribunal’.
Dizer que ‘o Deus que conhece’ punirá alguém é basear-se na própria consciência, nem sempre leve, muitas vezes pelo contrário, para desviar o foco dos próprios erros. Deus é único e não pune.
Akino Maringá, colaborador
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