Maringá já registrou mais de 900 acidentes com escorpiões em 2026

O número de acidentes com escorpiões em Maringá e região já ultrapassou, em apenas oito meses, o total registrado durante todo o ano de 2024. De janeiro a agosto de 2026, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) do Hospital Universitário (HUM) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) contabilizou 902 atendimentos envolvendo escorpiões.
Em todo o ano de 2024, foram registrados 842 casos. Já no mesmo período de 2025, entre janeiro e agosto, o serviço havia atendido 767 ocorrências. Na comparação entre os oito primeiros meses dos dois anos, o aumento em 2026 foi de 17,6%.
Os números preocupam o CIATox justamente no início da primavera, período marcado pelo aumento das temperaturas. Segundo a coordenadora do serviço, a enfermeira Marcia Guedes, o avanço da população de escorpiões ocorre de forma silenciosa e encontra nas cidades condições favoráveis para reprodução e abrigo.
A espécie mais frequente nos atendimentos é o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus). O animal consegue se reproduzir por partenogênese, ou seja, sem a necessidade de um macho, o que facilita a expansão da população.
Além das condições climáticas, a oferta de alimento contribui para a presença dos escorpiões em áreas urbanas. Baratas, grilos e outros insetos fazem parte da alimentação desses animais.
“É muito importante limpar terrenos, evitar acúmulo de entulho, lixo, folhas secas. Controlar a proliferação de insetos é fundamental para conter o avanço dos escorpiões”, alerta Marcia.
O crescimento dos casos não se restringe aos escorpiões. O CIATox registrou 1.291 atendimentos envolvendo animais peçonhentos entre janeiro e agosto deste ano. No mesmo período de 2025, foram 1.004 ocorrências, aumento de 28,6%.
Além dos escorpiões, os registros incluem 186 acidentes com aranhas, 62 envolvendo himenópteros, grupo que inclui abelhas, formigas e vespas, 47 com serpentes e 46 relacionados a outros animais peçonhentos ou venenosos.
O CIATox atende pacientes dos 32 municípios que integram a 15ª Regional de Saúde do Paraná.
A intensidade dos sintomas após uma picada de escorpião pode variar. Nos casos leves, a vítima pode apresentar dor e leve amortecimento no local. Já nos casos moderados, podem surgir dor intensa, vômitos, suor excessivo, agitação, taquicardia e aumento da pressão arterial.
Nos quadros graves, há possibilidade de dor intensa, vômitos e sudorese intensos, pulso lento, falta de ar e choque, com risco de morte.
Crianças menores de 7 anos e pessoas com mais de 60 anos estão entre os grupos que exigem atenção especial. Após a picada, a orientação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente. O uso do soro antiescorpiônico é avaliado pela equipe de saúde e não é necessário em todos os casos.
Também não é necessário capturar o animal para que o atendimento seja realizado.
“O animal não precisa ser capturado para ser identificado e contribuir no diagnóstico. Fotos e vídeos ajudam, desde que sejam realmente do animal que causou o acidente”, explica a coordenadora do CIATox.
A orientação é evitar a tentativa de captura, já que o manuseio pode provocar um novo acidente.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Hospital Universitário Regional de Maringá funciona como referência para os municípios da 15ª Regional de Saúde.
Em caso de acidente com escorpião ou outro animal peçonhento, o CIATox pode ser acionado pelos telefones (44) 3011-9431 e (44) 3011-9127. O atendimento presencial é realizado no Hospital Universitário Regional de Maringá.
Da Redação
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