
Um em cada três pacientes agendados para consultas especializadas pelo SUS em Maringá não comparece ao atendimento. Segundo a Secretaria de Saúde, a taxa de ausência varia entre 20% e 30%, o que resulta em vagas ociosas, aumento das filas e atraso no atendimento de outros usuários do sistema público.
O alerta foi feito pelas redes sociais da Prefeitura de Maringá, que reforçou a importância de comunicar com antecedência a impossibilidade de comparecimento. A simples atitude permite que a vaga seja repassada a outro paciente, evitando desperdícios e contribuindo para um sistema mais eficiente.
De acordo com o secretário de Saúde, Antonio Carlos Nardi, é preciso chamar a atenção e pedir a colaboração de todos, cidadãos e cidadãs maringaenses, que têm o compromisso com as pessoas.
“Responsabilidade é a palavra de ordem. Respeito também. De que forma? Comparecendo às consultas especializadas que hoje têm chegado na casa até de 30%, mesmo com os pacientes sendo contactados pessoalmente por telefone na véspera, confirmado e não havendo a possibilidade de comparecimento sem nenhum tipo de aviso. Isto é inadmissível quando ainda se tem um volume de pessoas aguardando pela realização de consultas, exames e cirurgias especializadas em demanda reprimida existente na Secretaria de Saúde”, disse Nardi.
Ainda conforme o secretário, para alguns exemplos, houveram dias em que foram liberadas 200 consultas, todas elas absolutamente confirmadas e compareceram em média 130 pacientes. “Isto é inadmissível e precisamos da colaboração e já mobilizamos o Conselho Municipal de Saúde os Conselhos Locais de Saúde, as associações de bairros, as igrejas, e todos os demais segmentos e precisamos, de fato, é do compromisso das pessoas, é a responsabilidade destes pacientes e seus familiares para comparecerem às consultas ou avisarem com pelo menos 24 horas de antecedência para que essas consultas possam ser substituídas”.
Nardi ainda ressalta que os profissionais estão lá, à disposição, no horário estabelecido, mas a falta deste paciente, ele deixa ocioso o profissional e deixa outro paciente que está posterior a você, na fila de espera, aguardando muitas vezes por mais de um ano. “Encontramos ainda pacientes de 2019, 2020, 2021, em compasso de espera, aguardando a sua consulta especializada. Hoje, nós já conseguimos ofertar, de janeiro a agosto, mais de 210 mil consultas, exames e cirurgias especializadas. Porém, o que precisamos é a responsabilidade e a humanidade das pessoas. Não faça com o seu próximo o que você não gostaria que fizessem com você”.
Além das ausências, outro fator que pressiona severamente a rede pública de saúde é o alto número de acidentes de trânsito, especialmente envolvendo motocicletas. O secretário foi direto ao classificar o cenário atual como uma “epidemia de trânsito”. “Nossos leitos hospitalares estão sobrecarregados de não-doentes. Pessoas fraturadas, politraumatizadas, amputadas”.
Segundo Nardi, os recursos também deveriam ser direcionados para pacientes com doenças crônicas, casos clínicos e outras urgências médicas.
REFORÇO
Como resposta à crescente demanda e à necessidade de fortalecer o atendimento na atenção básica, a Prefeitura de Maringá anunciou a contratação de 220 novos profissionais da saúde, que passam a integrar as equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF). Com isso, o município amplia de 66 para 99 equipes em operação, elevando a cobertura da atenção primária para 86% da população.
A cerimônia de posse dos novos servidores foi realizada ontem no Teatro Calil Haddad e contou com a presença da secretária nacional de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Ana Luiza Caldas, e sua equipe técnica.
“Assumimos um compromisso para mantermos R$ 2,5 milhões no repasse financeiro do Ministério da Saúde, em abril. Tivemos até o final do mês de agosto para reconstruir as equipes e assim não termos, por parte do Ministério da Saúde, nenhum tipo de penalidade ou corte financeiro. Reconstruir a Atenção Primária significa reconstruir com todos os profissionais essa nova fase”, comentou Nardi, durante a cerimônia.
As equipes multiprofissionais são compostas por enfermeiros, técnicos de enfermagem, odontólogos, técnicos de higiene dental e agentes comunitários de saúde, que atuarão diretamente nas comunidades, inclusive com visitas domiciliares, fortalecendo o vínculo entre o SUS e a população.
A iniciativa integra o plano municipal de expansão da saúde básica e cumpre compromissos firmados junto ao Ministério da Saúde para ampliar a cobertura e o acesso aos serviços públicos de saúde em Maringá.
Alexia Alves
Foto – PMM
