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Não se preocupem com o dinheiro

O que podemos entender desta frase, sabendo que foi dirigida a um grupo de pessoas? Quem falou? Em qual contexto?

      Poderia ser de um líder, empresário, falando aos seus funcionários, detalhando um projeto de alavancagem de expansão dos negócios da empresa. Mas, sendo uma fala de Jesus, como entende-la? Poderia ser uma exortação para focarmos em prioridades espirituais, não materiais, sem cedermos à ganância e ansiedade. O Evangelho sugere que, em vez de acumular riquezas que se desfazem na Terra,  devemos acumular “tesouros no céu” e buscando o reino de Deus primeiro. Que não preocupemos com o que comer ou vestir. Que confiemo que Deus provê, pois o valor do ser humano é maior do que o das aves do céu, que também são sustentadas por Ele. ( Mateus 6:19:21).

      Mas queremos refletir sobre outra passagem, em cujo título a palavra dinheiro é substituída por ouro e prata: ‘Não vos fadigueis por possuir ouro, ou prata, ou qualquer outra moeda em vossos bolsos. ‘Não prepareis saco para a viagem, nem dois fatos, nem calçados, nem cajados, porquanto aquele que trabalha merece sustentado.’ Que foram palavras de Jesus, dirigidas aos seus apóstolos ao enviá-los para anunciar o evangelho, pela primeira vez, que podemos entender como: Não se preocupem com as despesas, levem só bagagens de mão,  afinal  estarão trabalhando, e quem trabalha, merece ser sustentado.

      A propósito, Max Weber (1864-1920), jurista e economista alemão, considerado um dos pais da sociologia, afirmou que “o trabalho dignifica o homem”, ou seja, é pelo trabalho que o homem dá sentido à sua existência e se torna útil a si mesmo e à coletividade. De acordo com a doutrina espírita, o trabalho é ”lei da natureza, e por isso mesmo é uma necessidade” ,  em outras palavras, o trabalho é uma imposição Divina que tem como finalidade “a conservação do corpo e o desenvolvimento da faculdade de pensar” ,  que leva o homem a aperfeiçoar a sua inteligência.

       E prossegue Jesus falando aos discípulos: ‘Ao entrardes em qualquer cidade ou aldeia, procurai saber quem é digno de vos hospedar e ficai na sua casa até que partais de novo. Entrando na casa, saudai-a assim: Que a paz seja nesta casa. Se a casa for digna disso, a vossa paz virá sobre ela; se não o for, a vossa paz voltará para vós.’ Naquela época , de acordo com os costumes patriarcais, o viajor era sempre bem recebido.

      A par do sentido próprio, essas palavras guardam um sentido moral muito profundo. Proferindo-as, ensinava Jesus a seus discípulos que confiassem na Providência. Ao demais, eles, nada tendo, não despertariam a cobiça nos que os recebessem. Era um meio de distinguirem dos egoístas os caridosos. Por isso foi que lhes disse: “procurai saber quem é digno de vos hospedar” ou: quem é bastante humano para agasalhar o viajante que não tem com que pagar, porquanto esses são dignos de escutar as vossas palavras; pela caridade deles é que os reconhecereis.

       Quanto aos que não os quisessem receber, nem ouvir, recomendou ele porventura aos apóstolos que os amaldiçoassem, que se lhes impusessem, que usassem de violência e de constrangimento para os converterem? Não, mandou, simplesmente, que se fossem embora, à procura de pessoas de boa vontade.
Esta é recomendação do Espiritismo a seus adeptos:  que não violentemos  nenhuma consciência, para que deixem a sua crença,   e adote a nossa. Não discutamos com  os que não pensem como nós. Acolhamos aos que nos procurem, e os deixemos tranquilos os que nos repelem. Lembremos dessas palavras do Cristo. ‘Outrora, o céu era tomado com violência, hoje o é pela brandura’.

      E o que podemos fazer para divulgar o evangelho, hoje? Demonstrar, por nossa conduta, nas relações sociais e no trabalho,  que somos verdadeiros evangélicos, ou seja,  que pautamos nossas existências pelos ensinamentos do Mestre. Não importa que nos declaremos católicos, protestantes, espíritas, ou de qualquer religião cristã, e outras, mesmo ateus ou agnósticos.

Akino Maringá, colaborador
Foto – Reprodução

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