
Na minha infância e adolescência, na zona rural de Alfredo Marcondes- SP, usava-se a expressão ‘bem de vida’, para pessoas que tinham um sítio, plantavam por conta própria, tinham dinheiro em banco, que lhes garantia, mesmo que a safra não fosse boa. Nem eram ricos, mas estavam longe de serem considerados pobres.
Vindo para a cidade, desde quando me tornei bancário, e ‘me conheço por gente’, aprendi que há profissionais liberais, empresários, artistas, esportistas, que são bem sucedidos, quando ganham dinheiro acima da média, têm fama e sucesso. Há os que conseguem isso com esforço e trabalho, outros por heranças e não raros os que, por trás de uma aparência de boas pessoas, são corruptos, corruptores, maus caráteres, criminosos do colarinho branco, ou comuns. “Por fora, sepulcros caiados”
Nos últimos tempos tomamos conhecimento de que um jovem, que com pouco mais de 40 anos de idade, tornara-se um caso de banqueiro bem sucedido, com uma história diferente de Amador Aguiar (1904-1991) que foi um empreendedor visionário, fundador do Bradesco em 1943, em Marília (SP) e começou com bancário. Nascido em Ribeirão Preto, trabalhou na lavoura de café e chegou a passar fome antes de iniciar no setor bancário como office boy no Banco Noroeste em 1926.
Já o jovem, a quem nos referimos acima, economista mineiro, transformou um banco quase falido ( assumido em 2019) num banco que ficou famoso e pretendia disputar com os grandes, criando um império financeiro de rápida ascensão com agressivas aquisições, incluindo outros bancos e até uma SAF. Antes havia atuado no mercado imobiliário e até fundos de cemitérios. Seu banco rapidamente, foi adquirindo outros. Era conhecido por sua vida de luxo, incluindo festas de alto custo e propriedades em praias famosas. Construiu uma ampla rede de relações políticas, algumas que até podem ser legais, mas não morais, com figuras expoentes até do judiciário.
Bem sucedidos, ambos? Sobre Amador Aguiar, o fundador do Bradesco, não há dúvidas, pelo que se conhece até hoje do Banco e sua atuação social. Já o outro fracassou, e aqui falamos apenas do aspecto empresarial. Mas queremos aprofundar uma reflexão sobre como podemos ser ‘bem de vida’ e bem sucedidos, todos nós, os pobres mortais, que não temos jatinhos, não podemos promover grandes festas, não temos o watts de Ministros, mas queremos ser considerados ‘homens ( seres humanos) de bem’. Recorremos ao Capítulo XVII do Livro o Evangelho Segundo do Espiritismo- Sede perfeitos- O homem de bem., acrescentando comentários nossos:
O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se deixou passar alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele, enfim, se fez aos outros tudo o que desejara lhe fizessem. (Nosso comentário): O homem bem sucedido, espiritualmente falando, não causa prejuízos financeiros a terceiros, muitos necessitados dos recursos. Não frauda fundos de aposentadorias de servidores de prefeituras, não corrompe autoridades, com contratos consultorias, nem adquire propriedades com segundas intenções.
O verdadeiro homem de bem encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros. Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança. (Nosso comentário): O homem bem sucedido não pratica a violência, não ameaça críticos. O homem de bem, banqueiro, usa o seu banco para prestar serviços, atender e, servir, sabendo que a remuneração será consequência natural.
Bem sucedido? Não. Fracassado, não temos dúvidas. Talvez menos materialmente do que espiritualmente. Pensemos nisso para nossas vidas. Sejamos evangélicos cristãos, não importando a religião. De que vale ganhar o mundo e perder a alma ( Marcos 8:36).
Akino Maringá, colaborador
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