
Dados do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Maringá revelam que a cada três dias, uma mulher vítima de violência sexual procura atendimento médico na unidade. O levantamento considera o período entre janeiro de 2025 e março de 2026 e ganha ainda mais relevância durante o Mês da Mulher, quando o debate sobre violência de gênero se intensifica.
Ao todo, foram registrados 179 casos de violência sexual em 2025 e outros 18 nos primeiros meses de 2026, somando 197 ocorrências envolvendo homens e mulheres. Desse total, 173 vítimas são do sexo feminino, o que evidencia a predominância dos casos entre mulheres. Em 2025, 13% das vítimas atendidas eram homens, mas, em 2026, até o momento, não houve notificações envolvendo vítimas masculinas.
Referência no atendimento a vítimas de violência sexual na macrorregião Noroeste do Paraná, o HU recebe tanto demanda espontânea quanto encaminhamentos de unidades de saúde de diversos municípios da região.
Os dados mostram que a violência atinge, principalmente, meninas e mulheres jovens. Em 2025, 86% dos atendimentos foram direcionados a pacientes do sexo feminino, com maior incidência na faixa etária de 10 a 14 anos (23%). Em seguida, aparecem mulheres entre 20 e 29 anos (19%) e crianças de 2 a 4 anos (16%).
Em 89% dos casos, os autores da violência são homens. O cenário acompanha uma tendência nacional: segundo levantamento recente da Rede de Observatório da Segurança, mais da metade (56,5%) das vítimas de abuso sexual no Brasil são crianças.
A psicóloga do HU, Emanuela Dias, destaca que os números representam histórias marcadas por sofrimento. “Por trás desses dados existem trajetórias de dor, medo e silêncio. Garantir acolhimento adequado é fundamental para a defesa dos direitos dessas mulheres”, afirma.
Ela ressalta ainda que, entre meninas de 10 a 14 anos, é comum haver dificuldade de compreensão sobre limites corporais, o que pode atrasar a busca por ajuda. “Isso reforça a necessidade de investir em educação preventiva desde a infância, abordando temas como respeito, consentimento e proteção”, explica.
A assistente social Yolanda Grandizoli orienta que vítimas de violência sexual procurem atendimento imediato no Pronto Atendimento do HU, que funciona 24 horas. A unidade conta com equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos e assistentes sociais.
Segundo ela, o atendimento deve ocorrer preferencialmente em até 72 horas após a agressão, período crucial para a administração de medicamentos que previnem infecções sexualmente transmissíveis e gravidez.
Da Redação
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