
O número de ocorrências envolvendo fios soltos voltou a acender o alerta em Maringá em 2026. Apenas nos primeiros meses do ano, o Procon local já emitiu 170 notificações à Companhia Paranaense de Energia (Copel) por irregularidades na fiação aérea, problema que persiste em diferentes regiões e tem provocado acidentes.
De acordo com a coordenadora do Procon, Audilene Dias Rocha, as notificações são resultado de fiscalizações e denúncias feitas pela população, principalmente por meio dos canais oficiais do município. “São casos de fios soltos, baixos ou em desuso que permanecem nas vias públicas, oferecendo risco constante”, afirmou.
Os impactos já são percebidos no dia a dia. Um dos episódios recentes foi registrado na Avenida São Domingos, em que um caminhão atingiu cabos baixos, derrubando fios e um poste. A ocorrência afetou inclusive uma obra de demolição em andamento no local, que precisou ser interrompida. Situações como essa, segundo moradores, são frequentes e expõem riscos tanto para motoristas quanto para pedestres.
Outro caso foi registrado no último dia 17, na Avenida Alexandre Rasgulaeff, no Jardim Alvorada, quando um motociclista ficou ferido após um fio se enroscar na moto. O cabo havia sido rompido por um caminhão e ficou solto na pista. A vítima sofreu fratura no nariz e precisou de atendimento hospitalar, enquanto a passageira não se feriu.
O problema, no entanto, não é recente. Em 2025, o Procon realizou mais de 500 notificações à Copel e chegou a exigir um cronograma de regularização em 16 áreas da Cidade. Parte das ações foi executada, mas ainda há entraves, especialmente na retirada de cabos antigos pertencentes a operadoras de telefonia e internet.
Pela legislação, cabe à concessionária de energia a gestão dos postes e a notificação das empresas que utilizam a estrutura. Já as operadoras são responsáveis pela manutenção e retirada dos cabos.
Segundo o Procon, a falta de integração entre esses agentes contribui para a permanência das irregularidades. Casos semelhantes já haviam sido registrados anteriormente, incluindo um acidente com lesão grave em 2025 e uma morte causada por fiação suspensa. Diante da recorrência, o órgão intensificou a fiscalização e, em fevereiro, aplicou multa superior a R$ 1 milhão à Copel por descumprimento de prazos em notificações.
Segundo a Copel, cerca de 13% dos postes de Maringá apresentam algum tipo de irregularidade na ocupação por cabos de telecomunicações. Para o Procon, o índice reforça a necessidade de ações mais rigorosas e contínuas para reduzir riscos e evitar novos acidentes.
Alexia Alves
Foto – Rede Massa
