
A operação deflagrada ontem de manhã tinha como alvo uma clínica suspeita de fraudar laudos médicos para obter isenções fiscais
Agentes policiais foram a uma clínica de ortopedia em Maringá nesta quinta-feira de manhã para cumprir mandados de busca e apreensão. O objetivo era pegar documentos que comprovem as fraudes investigadas e a partir daí, desarticular uma associação criminosa suspeita de comercializar laudos médicos vinculados ao Sistema Único de Saúde. As ordens judiciais foram cumpridas na clínica e também em um escritório de assessoria, onde os laudos seriam usados para garantir benefícios fiscais na compra de veículos, com isenções de ICMS, IPI e IPVA,
Segundo o delegado Thiago Vicentini de Oliveira, que comanda as investigações, o esquema envolvia profissionais da área de saúde, despachantes e intermediadores, esses, encarregados de cooptar pacientes interessados. Os pacientes, de acordo com o delegado, eram direcionados à clínica alvo e lá os médicos emitiam laudos de incapacidade física, que possibilitavam o acesso às isenções fiscais.
“As investigações apontam que os envolvidos cobravam pela emissão dos documentos, com valores que variavam entre R$ 300 e R$ 1 mil, pagos em dinheiro ou via Pix”, detalhou o delegado, ressaltando que levantamentos financeiros indicam que, somente em 2025, ao menos 324 pessoas passaram pela clínica investigada. Considerando um valor médio de R$ 725 por laudo, a estimativa é de que os profissionais tenham movimentado cerca de R$ 170 mil com o esquema. As investigações continuam e devem identificar todos os participantes do esquema criminoso.
RESPOSTA
Um dos médicos investigados, Carlos Eduardo Saboia, declarou após a ação policial, que tal prática nunca ocorreu e que a sua clínica só realiza cobranças por procedimentos particulares. “Qualquer laudo só é emitido mediante comprovação clínica, ou seja, com exames que atestem a suposta incapacidade do paciente”.
O profissional disse que ainda não foi intimado e quando for, prestará todos os esclarecimentos à autoridade policial. Porém, disse em tom de revolta, que considera a acusação absurda, pois atua há muitos anos em Maringá e tem um nome a zelar. “Não é nem possível realizar a emissão de laudo assim, tudo tem que ser provado clinicamente, é preciso exames”, concluiu.
Da Redação
Foto – PCPR
