
A Enel X formalizou o pedido para deixar o Consórcio Luz de Maringá, responsável pela Parceria Público-Privada (PPP) da iluminação pública em Maringá. A informação foi confirmada ontem, 02, pelo secretário de Infraestrutura, Vagner Mussio, durante entrevista à Rádio Pinga Fogo FM.
Segundo Mussio, a saída ocorre em meio a um cenário de crise operacional. Desde 2025, o consórcio, que atua em conjunto com a Selt Engenharia, já foi notificado mais de 30 vezes e acumula multas que somam R$ 806 mil por descumprimento de contrato.
O contrato da PPP é de R$ 169 milhões, mas até o momento o município repassou apenas R$ 5,6 milhões, cerca de 3,3% do total, devido às falhas na prestação do serviço e à aplicação de sanções.
Sobre os pagamentos, Mussio detalhou que não houve orientação para pagar menos e que o verificador independente do contrato permanece o mesmo desde o início. “O serviço da empresa é avaliado em uma escala de 0 a 1. Na primeira verificação, recebeu nota 0,40; no mês passado, 0,85. O pagamento referente aos meses de dezembro, janeiro e fevereiro foi de aproximadamente R$ 391 mil, já descontadas as multas. O pagamento deste mês, referente a março, abril e maio, subiu para R$ 402 mil”, explicou o secretário.
Desde 2025, a Prefeitura vem notificando a empresa e retendo parte dos pagamentos. Até agora, a Enel X recebeu cerca de R$ 5,4 milhões. Mussio destacou que a segunda fase do projeto, que deveria ter sido entregue em 9 de janeiro, ainda não foi concluída, e a empresa solicitou ampliação do prazo. “Quando finalizar a fase dois e atingir nota 1, receberá o valor total. Vários problemas já foram sanados, mas a empresa afirmou ter feito apenas 50% da modernização da Cidade na primeira fase. Há 10 pontos de iluminação especial a serem entregues no mês de maio, incluindo o Teatro Calil Haddad”, acrescentou.
O Instituto Verificador Independente apontou irregularidades na execução do projeto e recomendou bloqueio parcial de pagamentos. Em nota oficial, a Enel X discordou das avaliações e das retenções de valores, informando que já apresentou justificativas técnicas e solicitou a criação de um Comitê Técnico para resolver os impasses contratuais.
O pedido de saída do consórcio será analisado pela Prefeitura de Maringá, que deve decidir sobre a continuidade da PPP e a gestão da iluminação pública no município.
Alexia Alves
Foto – Reproducão
