
Durante quase todo o século XX, acreditou-se que a humanidade estava ficando progressivamente mais inteligente. Melhor nutrição, mais anos de educação, maior complexidade no trabalho e mais estímulos cognitivos ajudaram a explicar esse avanço contínuo de estudo.
Tenho participado de alguns grupos de São Paulo e Rio de Janeiro, estudos com foco em tecnologia e empreendedorismo, aliados a inteligência artificial e como sou de inteligência emocional, estou sempre tentando fazer a interação.
Algo curioso começou a acontecer nas últimas duas décadas. Diversos estudos em países como Noruega, Reino Unido, Finlândia e Estados Unidos passaram a detectar uma reversão dessa curva. As pontuações médias de QI (Quociente de Inteligência) pararam de subir e, em alguns casos, começaram a cair.
As hipóteses são várias. Menos leitura profunda. Mais estímulos curtos. Terceirização cognitiva para tecnologia. GPS substituindo orientação espacial. Google substituindo memória. Smartphones substituindo atenção prolongada. Em outras palavras, o cérebro humano passou a exercitar menos algumas das funções que os testes de QI tradicionalmente medem. Mas há um novo fator entrando na equação. Talvez estejamos deixando de viver na era do QI para entrar na era do QIA: Quociente de Inteligência Artificial.
Se antes inteligência significava aquilo que o cérebro humano conseguia fazer sozinho, agora ela passa a ser uma combinação entre capacidade humana e capacidade algorítmica. O indivíduo que sabe perguntar melhor, interpretar melhor e combinar melhor as respostas da IA passa a operar com uma inteligência ampliada. Um cérebro conectado a modelos de linguagem, bases de dados globais e sistemas de decisão pode produzir resultados que nenhum humano isolado conseguiria.
Como inteligência emocional, sempre trabalho a importância do autoconhecimento no processo de crescimento pessoal, aprendendo a gerir as emoções e obter resultados extraordinários. Mas agora, isso cria uma nova pergunta. A IA vai acelerar o processo de emburrecimento humano porque terceirizamos cada vez mais nossas capacidades cognitivas? Ou vai nos tornar a geração mais inteligente da história, justamente porque ampliamos nossas habilidades através das máquinas?
O discurso CONFORTÁVEL ignora o PROBLEMA REAL. O que raramente entra nessa conversa é o PONTO CENTRAL. É uma leitura direta do que já está acontecendo. A IA – Inteligência Artificial vai roubar empregos sim. E não é ALARMISMO nem FUTUROLOGIA exagerada. O futuro do trabalho está sendo transformado pela IA. Os empregos que permaneceremNÃO SERÃO OS MESMOS.As funçõesNÃO SERÃO IGUAISe aquantidade dePESSOASnecessárias para executar muitos trabalhos será significativamenteMENOR. Numa visão de INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, que é a minha área, penso que irá permanecer o LÍDER que remove IMPEDIMENTOS reais, toma DECISÕES difíceis, garante ENTREGAS em cenários adversos e sustenta o TIME em momentos de pressão. A IA acelera a produção, mas transfere para o humano o peso da coordenação, da validação e da decisão. Ou seja, reduz o custo de FAZER e aumenta o custo de PENSAR sobre o que foi feito. Igual dirigir com o GPS sem critério, que te leva mas ATROFIA sua habilidade de conhecimento da região onde vai
Talvez a resposta esteja no meio. Assim como a calculadora não destruiu a matemática, mas mudou a forma de ensiná-la, a IA provavelmente não eliminará a inteligência humana. Ela reconfigurará o que significa ser inteligente. A inteligência do futuro pode não ser medida apenas pelo que você sabe ou memoriza. Mas pela sua capacidade de orquestrar inteligência. Nesse mundo, a capacidade de operar com um alto QIA será extremamente relevante, tanto quanto ter um QI alto. E a pergunta que fica não é apenas se estamos ficando mais inteligentes ou mais burros. A pergunta real é outra. Estamos aprendendo a pensar com as máquinas ou estamos deixando que elas pensem por nós?
Pense nisso, um forte abraço e esteja com Deus!
- Gilclér Regina palestrante de sucesso, escritor com vários livros, CDs e DVDs que já venderam milhões de cópias e exemplares no Brasil, América, Ásia e Europa. Clientes como General Motors, Basf, Bayer, Banco do Brasil, Grupo Silvio Santos, entre outros… compram suas palestras. Experiências no Japão, Portugal, Estados Unidos, entre outros países… 5000 palestras realizadas no país e exterior. Atualmente no top 10 dos livros mais vendidos no ranking do Google.
