
O Município registrou quase 2 mil acidentes no primeiro trimestre do ano, o maior número desde o início da série histórica, em 2019. Foram 1.950 ocorrências entre janeiro e março de 2026. Entre as vias com mais registros estão a Avenida Colombo (84 casos) e a Avenida São Paulo (61 registros, com crescimento de 45%). Os dados foram divulgados pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran).
Para entender a alta, o Jornal do Povo conversou com o professor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Thiago Botion Neri, arquiteto e urbanista e membro do projeto BR Cidades. Segundo ele, o problema acontece principalmente por duas frentes: educação e fiscalização.
“O fator humano é o principal. Trata-se de muitas variáveis, sobretudo a questão educacional. A educação no trânsito precisa estar presente no cotidiano de todos. Não só de quem dirige carros e motocicletas, mas também de pedestres, ciclistas e usuários de patinetes elétricos. A conscientização e a educação no trânsito são fundamentais para reduzir esses números”, explica.
Além disso, o urbanista defende que, apesar de gerar debates, a fiscalização é essencial para combater infrações. “Uma parte delas causa acidentes: o desrespeito ao sinal vermelho, conversões proibidas, motoristas que não param na faixa de pedestres ou que mudam de faixa sem sinalizar e acabam provocando colisões”, afirma.
Por fim, o especialista aponta a necessidade de campanhas educativas e do reforço na fiscalização como medidas para enfrentar o problema.
PARA DAR SETA
Enquanto o número de acidentes chama atenção, uma proposta em tramitação na Câmara Municipal busca atuar na prevenção por meio da conscientização no trânsito. O projeto de lei, de autoria do vereador Angelo Salgueiro, propõe a criação de uma campanha permanente para incentivar o uso da seta pelos motoristas.
O texto prevê que a iniciativa seja conduzida pelo poder Executivo, com possibilidade de parcerias com instituições públicas e privadas, além de entidades da sociedade civil. Entre os objetivos estão a redução de acidentes, especialmente atropelamentos e colisões, e a promoção de uma convivência mais segura entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
Apesar de o Código de Trânsito Brasileiro classificar como infração grave deixar de sinalizar manobras, com multa e pontos na CNH, a fiscalização municipal não registra autuações com base nesse tipo de irregularidade. Neste ano, mais de 81 mil multas já foram aplicadas na cidade, sendo a maioria por excesso de velocidade.
Mari Parma
Foto – Maringá em fotos
