
A música “Parabéns a você” tem uma origem dividida entre uma melodia norte-americana do século XIX e uma letra brasileira criada na década de 1940. Até então, os brasileiros costumavam cantar a versão original em inglês (“Happy Birthday”). A letra em português, que conhecemos hoje, foi criada por Bertha Celeste Homem de Mello, uma farmacêutica e poetisa de Pindamonhangaba (SP), que venceu um concurso entre cerca de 5 mil inscritos com a famosa quadrinha: “Parabéns a você / Nesta data querida / Muita felicidade / Muitos anos de vida”.
‘Muito anos de vida’, é sobre este trecho que queremos refletir. O que seria? Quantos anos? O que é a vida? O professor, poeta, escritor, que assina seus textos como A.A. de Assis, e continua ativo, atuante, escreveu uma crônica para o Jornal do Povo, de Maringá, que resumimos assim:
Contou-nos, espantado, que em 7 de abril, completou 93 anos, quase um século de permanência ‘neste planetinha’, segundo ele, e em janeiro houvera completado 71 anos de residência em Maringá e 68 de casamento com a atual e única esposa, Lucilla. Que nasceu num lugar chamado Bela Joana, na região montanhosa do município de São Fidélis-RJ, onde seu pai cultivava café, feijão, milho, mandioca e frutas. Com 8 anos foi para a cidade, a fim de continuar os estudos, iniciados numa escolinha rural, voltando sempre para passar as férias na roça.
Que tinha uns poucos amigos: dois sobrinhos da sua idade, e vizinhos de sítio, com os quais inventava um monte de brinquedos, mas seu pai não permitia caçar passarinhos, proibindo o uso estilingues e arapucas. Para compensar, formou um pomar atrás de nossa casa e entre as árvores colocou umas caixas onde punha alpiste, canjiquinha e outros alimentos. Com isso atraía pássaros de toda espécie: azulões, sabiás, coleirinhos, melros, pica-paus, periquitos, juritis, saíras. Era o dia inteiro aquela cantoria.
Penso, prosseguiu, que os passarinhos foram meus primeiros professores de poesia. Ficava horas no pomar observando a movimentação deles e ouvindo os seus gorjeios. Alguns eram mais achegados, me conheciam e vinham até pousar nas minhas mãos. A infância e adolescência envolvidas nesse ambiente silvestre me deixaram marcas fortes. Quando veio para Maringá, contou que nos primeiros tempos gostava de ir nos domingos ao Horto Florestal matar saudade. Era o jardinzão, onde a população pioneira tomava banho de sol, fazia piquenique e as crianças se divertiam.
Mas os anos passaram, a vida rapidamente urbanizou-se, o contato com a natureza foi rareando. De vez em quando a gente escuta ainda o canto de um sabiá. Porém o cheiro e os sons primitivos da roça e do mato nunca mais serão os mesmos, concluiu.’
E prossigo eu. Certamente, ao logo dos 93 anos, o Assis deve ter ouvido e recebido cumprimentos de muitas felicidades e muitos anos de vida. Sobre felicidade, sem adentrar no intimidade de cada um, podemos concluir que chegar aos 93 anos em uma existência, e com a saúde possível, perfeitamente lúcido, escrevendo crônicas semanais, como a que nos referimos, já é motivo para estar feliz.
Sobre muitos anos , observe que o Assis não disse que chegou aos 93 anos de vida. Falou em 93 anos, neste ‘planetinha’, a Terra. Sendo católico, com conhecimentos espiritualistas, sabe que os 93 anos são de uma existência e não de vida. A vida já existia, quando ele veio à Terra, e continuará quando a deixar. A vida é eterna, sem fim, apreendemos com a Doutrina Espírita. Logo, desejar muitos anos de vida não faz sentido. Emitirmos vibrações de saúde e paz, é o bastante, penso.
Somos todos uma Alma ( Espírito), que como o Assis, estamos num corpo físico, que um dia perderá as condições de ser o veículo de nossa manifestação, aqui na Terra. Então iniciaremos outra existência, no Mundo Espiritual, e depois novamente terremos um corpo físico, até atingirmos a perfeição e não mais precisarmos reencarnar. A vida é mais que uma existência.
Akino Maringá, colaborador
Foto – Reprodução
