
Maringá registrou, nos quatro primeiros meses de 2026, 2.986 casos de violações de direitos humanos contra pessoas idosas, segundo dados do Painel do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). No mesmo período, foram formalizadas 385 denúncias no município.
Os números revelam um cenário de subnotificação e acendem o alerta para a importância da denúncia em casos de violência, negligência e abuso contra a população idosa.
De acordo com o levantamento, janeiro foi o mês com maior número de denúncias em Maringá, com 112 registros. Em seguida aparecem março, com 99 denúncias, abril, com 96, fevereiro, com 74 casos e maio, quatro casos.
Os dados de violações englobam qualquer ato que atente contra os direitos humanos da vítima, incluindo maus-tratos, abandono, violência psicológica, exploração financeira e negligência.
Em todo o Paraná, o MDHC contabilizou 18.103 violações contra idosos entre janeiro e abril deste ano. O número representa aumento de 23,57% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registrados 14.649 casos.
Apesar da alta quantidade de ocorrências, o número de denúncias efetivadas ainda é considerado baixo. Das mais de 18 mil violações registradas no Estado em 2026, apenas 1.944 denúncias foram formalizadas junto aos órgãos competentes. Na capital Curitiba, já foram contabilizados 4.126 casos de violações neste ano.
Em nível nacional, o Brasil ultrapassou 421 mil registros de violações contra idosos apenas nos quatro primeiros meses de 2026. Em 2025, o País fechou o ano com mais de 1 milhão de casos.
Para a coordenadora do curso de Direito da Universidade Unopar, Juliana Aprygio Bertoncelo, discutir o tema publicamente é essencial para combater a violência contra idosos.
“A relevância social dessa abordagem é muito alta, pois se trata de um tipo de crime que deve ser denunciado e combatido. Trazer essa temática para o debate social conscientiza não apenas na identificação de condutas reprováveis, mas informa sobre onde e quando se deve denunciar, bem como evidencia a importância do ato”, afirmou.
Segundo ela, muitos casos ainda deixam de ser denunciados por medo, dependência financeira ou desconhecimento dos canais oficiais de atendimento.
Entre os principais tipos de violência registrados contra idosos estão agressões físicas, abuso psicológico, negligência, abandono, violência institucional, abuso financeiro, violência patrimonial, violência sexual e discriminação.
A violência institucional inclui situações de omissão ou desatenção em instituições públicas e privadas responsáveis pelo cuidado da pessoa idosa. Casos de violência contra idosos podem ser denunciados ao Ministério Público, Delegacias do Idoso, Defensoria Pública e também pelo Disque 100, canal nacional coordenado pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.
O serviço funciona 24 horas por dia, é gratuito e sigiloso. As denúncias também podem ser feitas pelo aplicativo Direitos Humanos, site da Ouvidoria, Telegram e WhatsApp pelo número (61) 99611-0100. O atendimento também está disponível em Libras.
Alexia Alves
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