
Ivens Lagoano Pacheco, dono e diretor do “O Jornal de Maringá”, era um gaúcho de corpo volumoso e vasto bigode. Para completar, fumava charuto e usava óculos escuros. Na sala de redação, naquele início de tarde em 1963, estávamos Ademar Schiavone, João Amaro Faria, José Zimermann e eu.
Tudo parecia calmo, ouvindo-se apenas o teque-teque das máquinas de escrever. Súbito entrou um homem muito nervoso, com um canivete numa das mãos e na outra um jornal todo amassado. Aos gritos, dizia:
– Quero ver quem foi o desaforado que botou meu retrato aqui nesta porcaria e me xingou de indivíduo e desordeiro…
Tinha saído no matutino a notícia de uma briga de bar, na qual o tal fulano esteve envolvido. Por sorte, naquele momento o repórter responsável pelo noticiário policial havia saído para um trabalho na rua.
Ivens estava na sala dele recebendo a visita de um amigo, o Doutor Newman da Silva Gomes, um dos primeiros dentistas de Maringá. De lá ouviu a gritaria e veio ver o que estava acontecendo. O homem continuava esbravejando e fazendo ameaças. Ivens chegou peitando o sujeito e soltando baforadas de fumaça:
– Abaixe essa arma e converse como gente educada.
O homem teve um tremelique, deixou o canivete cair e se desmanchou numa crise de choro. Ivens mandou que ele se sentasse num sofá e disse:
– Olhe aqui, seu moço, isto aqui é um lugar de respeito. Se você tem alguma queixa a fazer, fale comigo.
O homem enxugou os olhos com as mãos, disse que era um trabalhador desempregado e que estava de passagem por Maringá procurando trabalho. Metera-se na confusão do bar só por ter sido provocado.
Aí foi o bom Ivens que começou a chorar. Ligou para um restaurante que havia perto do jornal e mandou vir uma marmita bem recheada. Em seguida telefonou para um amigo empresário pedindo que arranjasse um servicinho para o rapaz até que aparecesse coisa melhor.
A. A. de Assis
Foto – Blog do Rigon
