Maringá registra 6.132 casos de violência contra mulheres

Maringá registrou 6.132 casos de violência contra mulheres em 2025, segundo dados do Boletim de Ocorrência Unificado (BOU) utilizados no Plano Municipal de Políticas Públicas para Mulheres 2026-2029. O número representa uma média de 16,8 ocorrências por dia e coloca a violência contra a mulher entre os principais desafios das políticas públicas do município.
É diante desse cenário que a Associação Maria do Ingá Direitos da Mulher promove, amanhã, 26, o debate “20 Anos da Lei Maria da Penha: Conquistas e desafios”. O evento será realizado às 19h, na sede do Sismmar, na Avenida Paissandú, 465, na Vila Operária, com entrada gratuita.
Os números da rede municipal de atendimento também mostram a demanda por serviços especializados. Em 2025, o Centro de Referência de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência (Cram) atendeu 384 mulheres e realizou 2.026 ações.
A procura continua em alta em 2026. Apenas nos primeiros seis meses deste ano, foram 212 mulheres atendidas e 1.108 ações realizadas. Mantido o ritmo registrado no primeiro semestre, a projeção é chegar a 424 mulheres atendidas e 2.216 ações até dezembro.
Os dados serão discutidos no momento em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Para representantes do movimento de mulheres, a existência da legislação e de uma rede de atendimento não eliminou a ocorrência de novas agressões.
A presidente do Fórum Maringaense de Mulheres, Tania Tait, aponta o avanço dos casos de violência, dos feminicídios e o surgimento de novas formas de agressão, como a violência digital, como desafios para as políticas públicas. Segundo ela, mulheres negras e em situação de vulnerabilidade social estão entre os grupos mais afetados.
Além do atendimento às vítimas, a avaliação das entidades é de que a prevenção precisa ganhar espaço. Entre as propostas está a ampliação de ações educativas nas escolas e a criação de uma política permanente de prevenção à violência e ao feminicídio.
A rede de atendimento de Maringá reúne serviços como o Cram, o Núcleo de Maria da Penha da UEM (Numape/UEM) e a Comissão de Violência de Gênero da OAB (Cevige).
O Cram oferece acolhimento, orientação e encaminhamento jurídico, além de acompanhamento psicológico e social às mulheres vítimas de violência.
Da Redação
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