Passamos metade da vida com a mente longe do corpo

Eu sei que nossa atenção, hoje, está cada vez mais fragmentada. Estamos fazendo uma coisa, mas, ao mesmo tempo, a nossa cabeça vai para outro lugar.
Costumo brincar com meus alunos… “Gente, eu sei que o corpo de vocês está aqui, mas vocês já foram fazer uma visitinha ao namorado, à namorada… Já tentaram dar uma espiada na geladeira de casa pra saber o que vão comer depois da aula…”.
Ter a mente no mesmo lugar onde está o corpo é cada vez mais difícil. Por isso, no pouco tempo que você vai dedicar para ler este artigo, talvez você viaje para os problemas de amanhã, para a mensagem de whatsapp que ainda não respondeu, para a conta que vence na semana que vem.
Temos uma facilidade enorme de viver com o corpo num lugar e a mente em outro. A pessoa senta para jantar com a família, mas a cabeça está presa na mensagem de trabalho. Está na reunião da empresa, mas fica pensando no conserto do carro. Tenta brincar com os filhos no chão da sala, mas os olhos e os pensamentos estão grudados nas notificações do celular. Quase nunca estamos por inteiro no local onde nosso corpo está.
Talvez você pense que essa distração é inofensiva. Mas a ciência mostra que ela custa caro. Dois pesquisadores da Universidade de Harvard, Matthew Killingsworth e Daniel Gilbert, publicaram um estudo clássico na revista Science com um título direto: “A Wandering Mind Is an Unhappy Mind” — uma mente que vagueia é uma mente infeliz.
Eles acompanharam milhares de pessoas no dia a dia e descobriram algo impressionante: nós passamos quase 47% do nosso tempo acordados pensando em outra coisa que não aquilo que estamos fazendo. Praticamente metade da nossa vida é gasta com a cabeça longe da realidade.
Mas a descoberta mais importante da pesquisa foi outra. O estudo provou que a mente dispersa é uma das principais causas de infelicidade. O estudo observou que as pessoas se sentiam muito mais ansiosas e insatisfeitas quando estavam distraídas do que quando estavam concentradas — mesmo quando estavam divagando sobre coisas neutras ou agradáveis.
Isto quer dizer uma coisa: o que determina a sua sensação de bem-estar não é apenas o que você está fazendo, mas o quanto você está presente naquilo que faz.
E a única maneira de não dispersar é treinar o cérebro para focar no presente. Se a mente começa a viajar, é preciso, conscientemente, convidá-la a voltar ao lugar onde você está.
Se você está almoçando, foque no almoço e sinta o gosto da comida. Se está conversando com alguém, olhe nos olhos e escute o que a pessoa está dizendo. Se está trabalhando em um relatório, feche as outras abas do computador, desligue as notificações do celular e termine o que começou.
Você não consegue resolver o problema do mês que vem enquanto está na mesa, jantando com sua família. Você não consegue mudar o que deu errado ontem no trabalho enquanto está na sua igreja.
A sua vida de verdade só acontece no único tempo que você pode controlar: o presente. O resto é apenas barulho na sua cabeça que rouba a sua paz e drena a sua capacidade de realização.
Vez ou outra, nossos pensamentos viajam sim. Faz parte da maneira como funciona o cérebro. Mas você pode treinar a sua mente para estar cada vez mais presente onde o seu corpo estiver.
Então, quando perceber que a sua mente viajou para longe, puxe o freio. Traga a sua atenção de volta para a mesa, para a tarefa que está realizando, para as pessoas que estão ao seu redor.
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Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras | Doutor em Educação
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