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Só 7% estão felizes no trabalho. O que está acontecendo?

Uma pesquisa recente com trabalhadores brasileiros revelou que apenas 7% dos profissionais se sentem felizes e realizados no trabalho. O levantamento ouviu quase 12 mil pessoas, de 290 empresas, e mostrou também um cenário preocupante de ansiedade, angústia, desânimo, sobrecarga e pouca recuperação emocional.

Quando li que apenas 7% dos profissionais disseram se sentir felizes e realizados no trabalho, fiquei impressionado. Sei que a insatisfação no trabalho é grande. Mas não imaginava tão pouca gente está feliz com o que está vivendo.

O trabalho ocupa uma parte enorme da vida. E, quando essa parte é marcada por pressão constante, insegurança, falta de autonomia e relações ruins, ela pode ampliar muito todas as dores que a pessoa já está carregando.

Mas a questão é: como chegamos a um cenário em que tantas pessoas trabalham todos os dias insatisfeitas?

Uma das respostas está na sensação permanente de urgência. Tem profissional que passa o dia apagando incêndio. É mensagem chegando, prazo apertado, reunião, cobrança, mudança de prioridade, tarefa interrompida por outra tarefa. A pessoa trabalha muito, termina o dia cansada, mas nem sempre tem a sensação de que avançou.

Outro problema é a dificuldade de desligar. O expediente acaba, mas o trabalho continua no bolso. O celular vibra. Chega mensagem no grupo da empresa. Surge uma demanda do chefe alegando que “é rapidinho”. A pessoa sai fisicamente da empresa, mas a cabeça continua presa nela.

Também pesa a falta de autonomia e de sentido. Tem gente que executa muito e decide quase nada. Recebe ordens, cumpre tarefas, resolve problemas, mas não percebe o valor do que faz e nem enxerga espaço para participar das decisões. E isso desgasta.

Mas existe um ponto que, para mim, não pode ficar de fora: as relações dentro das empresas.

Às vezes, o que adoece não é o volume de trabalho. É o ambiente  em que esse trabalho acontece. Uma liderança agressiva, controladora, imprevisível, humilhante ou incapaz de reconhecer o esforço da equipe pode tornar o dia muito mais pesado do que ele precisaria ser. Gente em cargo de comando tem poder para tornar o trabalho muito mais difícil.

E não é só liderança. Colegas que desrespeitam, sabotam, espalham tensão ou tornam a convivência permanentemente hostil também afetam o ambiente. Quando esse tipo de comportamento é tolerado porque a pessoa “entrega resultado”, a empresa manda uma mensagem ruim para todo mundo: desempenho importa mais do que a saúde das relações.

Por isso, uma empresa pode ter bom salário, bons benefícios e até programas de bem-estar e ainda assim ser emocionalmente desgastante. E, de acordo com a pesquisa divulgada pela Forbes, é o que mais tem acontecido nas empresas brasileiras.

E aí não adianta oferecer palestra sobre saúde mental, aplicativo de meditação ou campanha de qualidade de vida se a rotina continua marcada por excesso de cobrança, pouca autonomia, invasão do descanso e relações adoecedoras.

Claro, a responsabilidade não é só da empresa. O trabalhador também precisa observar os próprios limites. Nem sempre a solução é pedir demissão. Às vezes é conversar. Estabelecer limites, reorganizar prioridades, buscar ajuda. Em outros casos, pode ser necessário avaliar se permanecer naquele ambiente continua fazendo sentido.

Porém, é fundamental não normalizar o sofrimento. Você não precisa se sentir feliz no trabalho todos os dias. Mas também não deveria considerar normal passar a maior parte deles ansioso, angustiado ou esgotado.
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Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras |  Doutor em Educação

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