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Neurônios-espelho: A ciência por trás das conexões humanas

Já se perguntou como é possível sentir empatia por outras pessoas, mesmo sem conhecê-las? Vê alguém sofrendo e a dor dela também dói em você… Como isso é possível?

E como podemos nos emocionar com um filme, mesmo sabendo que é ficção?

Vamos além… Como podemos aprender com o exemplo de alguém, mesmo sem imitá-lo?

A resposta para essas questões pode estar nos neurônios-espelho, um tipo especial de células nervosas que nos permitem “entrar na mente” dos outros.

Os neurônios-espelho foram descobertos por acaso, em um experimento com macacos. Os pesquisadores perceberam que os mesmos neurônios ativados quando o macaco realizava uma ação também eram ativados quando ele observava outro macaco realizando a mesma ação.

Ou seja, o cérebro do macaco “espelhava” o que via, como se ele mesmo estivesse realizando a ação.

Essa descoberta revolucionou o campo da neurociência, demonstrando que os seres humanos também possuem neurônios-espelho, responsáveis por uma série de processos cognitivos e emocionais, como aprendizagem, imitação, compreensão, cooperação e empatia.

O psiquiatra Daniel Stern explica que nossos sistemas nervosos “foram construídos para serem captados pelos sistemas nervosos de outras pessoas, para que possamos vivenciá-los como se estivéssemos vivendo aquilo pessoalmente”.

Em outras palavras, ressoamos com a experiência alheia e os outros, com a nossa.

Daniel Stern acrescenta: “Não podemos mais ver nossas mentes como tão independentes, separadas e isoladas”. Devemos vê-las como “permeáveis”, interagindo continuamente, como se estivessem ligadas por um elo invisível.

No nível inconsciente, estamos em constante diálogo com qualquer pessoa com quem interagimos; nossos sentimentos e movimentos estão sintonizados com os dessas pessoas. Pelo menos naquele momento, nossa vida mental é co-criada, em uma matriz de duas pessoas, interconectada.

Isso sugere o cuidado que devemos ter com as conexões estabelecidas, pois elas podem influenciar nosso humor, nossa motivação e nosso bem-estar. Os neurônios-espelho também explicam por que os filmes nos afetam tanto.

Vou te contar uma coisa: no nosso cérebro, os filmes são reproduzidos como se fossem realidade. Conscientemente, sabemos que o filme é ficção, mas nosso cérebro não separa ficção da realidade.

Então, como podemos aproveitar o melhor deste conhecimento sobre os neurônios-espelho? Aqui vão algumas dicas:

Busque cercar-se de pessoas positivas, inspiradoras e motivadoras. Elas podem estimular seus neurônios-espelho a gerar mais felicidade e satisfação em sua vida.

Aproxime-se de pessoas bondosas, generosas. Você terá a chance de desenvolver ainda mais as habilidades de empatia e praticar a caridade.

Aprenda com os exemplos. Aproxime-se das pessoas que você admira e, pode acreditar, logo estará conectado a essas pessoas. Com um pouco de disposição, seu cérebro fará parte importante do trabalho e você vai espelhar alguns de seus hábitos ou atitudes em sua rotina. Pode se surpreender com os resultados.

Explore a arte. Aprecie um quadro, assista a uma peça de teatro, ouça uma música emocionante. A arte tem a capacidade de evocar fortes emoções e nos conectar com experiências humanas universais, graças à magia dos neurônios-espelho.

Divirta-se. Assista a filmes, séries ou vídeos que te façam rir, chorar ou se emocionar. Isso pode liberar hormônios do prazer e do bem-estar em seu organismo, além de exercitar sua criatividade e imaginação.

Compreender os neurônios-espelho e a forma como eles operam pode abrir um novo universo de possibilidades para explorar nosso próprio potencial e aprofundar nossas conexões com os outros. Com um pouco de consciência e prática, podemos usar esse conhecimento para melhorar nosso bem-estar, aumentar nossa compreensão de nós mesmos e dos outros, e cultivar uma vida mais rica e gratificante.

Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras |  Doutor em Educação

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