
Você provavelmente conhece alguém que é brilhante em sua profissão. Um médico respeitado, um advogado de sucesso ou um empresário arrojado. Pessoas que lidam com problemas complexos todos os dias. No entanto, quando olhamos para a vida financeira dessas mesmas pessoas, encontramos um cenário de caos: dívidas impagáveis, falta de reserva e uma ansiedade constante sobre o futuro.
Como isso é possível? Por que pessoas inteligentes tomam decisões financeiras estúpidas?
A resposta não está em planilhas ou na falta de conhecimento sobre taxas de juros e mercado financeiro. O problema é que dinheiro tem tudo a ver com nossas emoções, com a maneira como nos sentimos. Nesta semana, enquanto relia o livro A Psicologia Financeira, de Morgan Housel, concluí que o maior inimigo do nosso patrimônio não é a inflação ou o governo, mas o comportamento que repetimos sem perceber.
O primeiro grande sabotador é o gatilho do “Eu mereço”. Quem nunca usou essa frase para justificar um gasto impulsivo após um dia estressante? “Trabalhei tanto hoje, eu mereço esse jantar”. “A vida é curta; amanhã, posso não estar mais aqui”. Usamos a incerteza do futuro para justificar a irresponsabilidade do presente. O problema é que, estatisticamente, é muito provável que não morramos amanhã. A expectativa de vida aumentou. E a pergunta que precisamos fazer é: como o seu “eu” de 80 anos viverá com as decisões impulsivas que o seu “eu” de hoje está tomando? O dinheiro que gastamos comprando alívio passageiro é o mesmo que faltará para comprar dignidade na velhice.
Isso nos leva ao segundo ponto: a confusão entre “viver como rico” e “ter riqueza”. Parece jogo de palavras, mas a distinção é vital. “Viver como rico” tem a ver com um modo de vida caro. Geralmente, quem ganha muito, gasta muito para sinalizar sucesso. Já a “riqueza” é o que você não vê. É o dinheiro que não foi gasto. É o patrimônio construído que nem sempre é visível.
Vivemos numa sociedade de vitrine, onde, como aponta o antropólogo brasileiro Michel Alcoforado, o “ter” é confundido com o “ser”. Muita gente financia carros em 60 vezes ou vive em apartamentos que mal consegue pagar apenas para comprar aplausos de uma plateia que não se importa com elas. Quando você vê alguém num carro de luxo, você não admira o motorista; você apenas imagina a si mesmo naquele carro. Gastamos dinheiro que não temos, comprando coisas que não precisamos, para impressionar pessoas que não conhecemos e que, quase sempre, não se importam conosco.
A verdadeira riqueza não serve para comprar coisas. Ela serve para comprar liberdade. Quem tem dinheiro guardado não precisa aceitar um chefe tóxico, não se desespera diante de uma crise econômica e dorme com a consciência tranquila.
E aqui está o segredo da sobrevivência financeira: a humildade de viver um degrau abaixo. Conheço casais que ganham R$ 20 mil e vivem no vermelho, e pessoas que ganham R$ 3 mil e possuem uma boa reserva financeira. A diferença não é a receita, é a taxa de poupança e o controle inclusive dos pequenos gastos invisíveis.
Se você quer consertar sua vida financeira em 2026, pare de olhar apenas para o saldo do banco e comece a olhar para o espelho. Ganhar dinheiro exige otimismo e risco. Manter dinheiro exige humildade, modéstia e um pouco de medo. Não use seu suor para montar um palco para os outros assistirem. Use seu dinheiro para construir um patrimônio que te garanta liberdade.
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Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras | Doutor em Educação
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