
O que acontece quando um adulto se comporta como uma criança birrenta, só que com crachá, salário e poder de atrapalhar a vida dos outros? Por que tanta gente tem encontrado, no trabalho, colegas que parecem ter parado no tempo — com piadas fora de hora, deboches, comportamentos que a gente esperaria ver no pátio da escola, não numa reunião de negócios?
Nesta semana, recebi uma mensagem no Instagram perguntando: “Professor, como lidar com pessoas adultas com comportamentos tão infantis em todos os ambientes, principalmente no ambiente profissional? Piadas, deboches… chega ser inacreditável”, disse ela.
Quantos de nós já passamos por isso? Você está numa reunião séria, tentando resolver um problema importante, e lá vem o colega com uma piadinha fora de hora. Ou pior: um deboche disfarçado de humor. E a gente fica ali, sem saber se ri, se ignora, se responde. É desconfortável, é desgastante… E irritante, por vezes.
Mas afinal, por que isso acontece?
Deixa eu explicar… Quando adultos não desenvolvem inteligência emocional, acabam ativando, sob estresse ou insegurança, as mesmas redes neurais de uma criança de cinco anos. O córtex pré-frontal — aquela área do cérebro responsável por pensar antes de agir, por avaliar consequências, por filtrar impulsos — simplesmente desliga. E aí a pessoa “regride”. É como se o adulto, na falta de ferramentas emocionais, voltasse a ser a criança que um dia foi.
E aqui tem um dado que chama atenção: segundo a Sociedade Brasileira de Psicologia Organizacional, mais da metade dos conflitos no trabalho têm origem em “brincadeiras” mal interpretadas. O que parece inofensivo, muitas vezes, é o início de um desgaste enorme.
Porém, tem um agravante. Muitas vezes, esse comportamento não é só imaturidade. Às vezes, é estratégia. O deboche sistemático pode ser uma forma de desestabilizar quem pensa diferente. Pode ser, sim, uma maneira de testar limites. E quando a gente não percebe, o “brincalhão” do escritório está, na verdade, criando um ambiente tóxico sem ninguém saber como nomear o que está acontecendo.
O que fazer diante disso? Aqui está a chave de tudo. Não controlamos o comportamento dos outros. Não podemos mudar quem não quer mudar. Mas podemos, sim, cuidar de como reagimos.
Então, diante do colega que insiste na piada fora de hora, que tal experimentar o silêncio estratégico? Três segundos de silêncio, olhar fixo, sem sorriso forçado. O silêncio, muitas vezes, fala mais que qualquer resposta.
Ou então a pergunta direta: “Qual a intenção dessa brincadeira agora?” Assim, devolvemos a razão para o centro da conversa. Outra saída é o limite educado: “Eu não gosto desse tipo de brincadeira. Vamos manter o foco.” Frase curta, tom firme, sem agressividade.
E, acima de tudo, cultivar a calma. Quem busca provocar se incomoda com quem não se abala.
A grande verdade é que quem precisa ridicularizar os outros está tentando esconder sua própria fragilidade, sua imaturidade. Crianças brincam para aprender o mundo. Adultos que não amadureceram brincam para evitar o mundo.
Então, o segredo não é tentar mudar quem não quer crescer. É não permitir que o comportamento alheio destrua seu equilíbrio.
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Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras | Doutor em Educação
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