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Quando falta liderança, sobra desmotivação

Time desmotivado não é problema de salário; é, quase sempre, problema de liderança que não escuta, não reconhece, não direciona.

Não é novidade para nenhum gestor que uma equipe desmotivada entrega menos, erra mais e adoece. O que muita gente ainda não entendeu é a verdadeira origem desse desânimo. A resposta mais cômoda e frequente é apontar para a remuneração: “Se o time está desmotivado, é porque o salário não é bom”. Mas os dados, a psicologia e a experiência de mercado há muito desmontam essa tese.

A equipe desmotivada, na esmagadora maioria das vezes, não clama por um reajuste substancial. Clama por um líder.

É inegável que uma remuneração justa e competitiva é o piso de qualquer relação de trabalho digna. Ninguém se motiva com fome ou com contas atrasadas. Contudo, uma vez que esse piso está garantido, o salário deixa de ser o principal motor do engajamento. A teoria dos dois fatores, do psicólogo Frederick Herzberg, já nos ensinava isso na década de 1960: o salário é um “fator higiênico”. Sua ausência gera insatisfação, mas sua presença, sozinha, é incapaz de gerar motivação genuína. Quem espera que um aumento salarial resolva problemas crônicos de desmotivação está confundindo o alicerce com o acabamento de uma casa.

Uma pesquisa de 2022 com 800 profissionais, divulgada pela empresa de recursos humanos Robert Half, mostrou que 70% dos líderes e 66% dos liderados citaram um “ambiente de apoio e acolhimento” como prioridade em seus objetivos de carreira, algo que vai muito além do contracheque. O mesmo levantamento corrobora a ideia de que, a partir de um patamar satisfatório, o efeito do dinheiro na motivação é temporário.

Se o salário não é a resposta, o que então transforma um grupo de funcionários em um time engajado? A resposta é a liderança. Não o chefe que dá ordens, mas o líder que exerce três práticas fundamentais: escuta, reconhecimento e direcionamento.

Líder que escuta: não se trata de uma política de “portas abertas”, mas de uma escuta ativa e sem julgamento. Uma pesquisa conduzida em empresas do setor financeiro no Brasil identificou a “consideração às opiniões dos funcionários” e a “abertura” como traços de liderança fortemente associados ao engajamento. Quando o colaborador sente que o que ele fala não importa, a mensagem implícita é que ele e seu trabalho são descartáveis.

Líder que reconhece: o reconhecimento é o combustível da motivação intrínseca. O mesmo estudo brasileiro destacou o “reconhecimento e feedback” como um dos comportamentos de liderança mais impactantes para o engajamento. Um simples “bom trabalho”, um feedback específico ou um elogio público custam zero reais, mas têm um valor imensurável para o colaborador. O reconhecimento valida o esforço e conecta a tarefa diária a um propósito maior.

Líder que direciona: um time sem rumo se sente perdido, e a sensação de desorientação é paralisante. Líderes que direcionam fornecem clareza sobre metas, oferecem “autonomia justa nas tarefas” e atuam como coaches, ajudando a equipe a encontrar suas próprias soluções em vez de impor as respostas prontas. Isso transforma a obediência passiva em compromisso ativo.

Ignorar a raiz do problema tem um preço. Funcionários desmotivados e mal liderados geram um ciclo vicioso de queda de produtividade, aumento de erros e conflitos. A consequência mais visível é o aumento do absenteísmo (faltas e atrasos) e a elevação da taxa de rotatividade.

Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras |  Doutor em Educação

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