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Fábrica de vacinas em Maringá poderá produzir imunizante contra catapora para SUS

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) submeteu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o pedido de registro da vacina contra a varicela, conhecida popularmente como catapora. O imunizante faz parte de um projeto de transferência de tecnologia que prevê a produção nacional de vacinas no complexo laboratorial do instituto em construção em Maringá. A estrutura já alcançou 65% de execução, com previsão de conclusão das obras até o final deste ano.

O pedido de registro é uma etapa necessária para que a vacina possa ser comercializada e utilizada no Brasil. Após a aprovação da Anvisa, o Tecpar poderá programar o fornecimento ao Ministério da Saúde, com estimativa inicial de 7 milhões de doses em 2027, destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Em 2025, o instituto foi selecionado como único laboratório público fornecedor de vacinas contra varicela e raiva humana ao Ministério da Saúde. O abastecimento será realizado por meio de uma parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac, dentro do programa de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP).

Inicialmente, a vacina será importada da China já finalizada, com embalagem e marca do Tecpar. A proposta é que, futuramente, o processo de fabricação seja realizado no Brasil, utilizando a estrutura laboratorial prevista para Maringá.

O Parque Tecnológico Industrial da Saúde do Tecpar, em implantação em Maringá, está previsto para receber a estrutura produtiva das vacinas contra varicela e raiva humana contempladas na parceria.

Com 65% das obras executadas, o complexo recebeu uma visita técnica de engenheiros da Sinovac, acompanhados por profissionais do Tecpar. Durante a visita, os representantes da empresa chinesa avaliaram a infraestrutura e apresentaram adequações necessárias para a instalação da futura fábrica. As recomendações serão encaminhadas à Prefeitura de Maringá.

A Sinovac também apresentou o primeiro layout das plantas da unidade de produção. O material está sendo analisado pela equipe de engenharia do Tecpar para verificar sua adequação à legislação brasileira e às exigências regulatórias.

Após essa avaliação, terá início a etapa de levantamento dos custos aproximados do projeto básico, do projeto executivo, da construção e da operação da fábrica.

A intenção é que o complexo de Maringá receba futuramente o processo produtivo dos dois imunizantes, ampliando a capacidade nacional de fabricação de vacinas destinadas ao SUS.

Para obter a autorização de comercialização e utilização da vacina, o Tecpar precisa apresentar à Anvisa documentos que comprovem a segurança, a qualidade e a eficácia do imunizante.

A análise inclui informações sobre os testes clínicos, as células utilizadas no desenvolvimento, os equipamentos envolvidos, as etapas de fabricação, os procedimentos de controle de qualidade e as licenças das empresas participantes.

Devido à complexidade da avaliação, a previsão é que o processo de submissão leve de seis meses a um ano para ser concluído.

A gerente do Centro de Transferência de Tecnologia do Tecpar, Carolina Perottoni, explica que, nesta primeira etapa da parceria, o instituto será responsável pela liberação do produto no Brasil. “Como o registro da vacina será feito em nome do Tecpar, o instituto será o responsável pela liberação do produto no Brasil. Nesta etapa da PDP, o produto finalizado com a embalagem e marca Tecpar será importado da China. Ao chegar ao Brasil passará pelas verificações de temperatura e qualidade e, depois, será enviado ao Ministério da Saúde”, explica.

O Tecpar e a Sinovac já assinaram acordos de qualidade e iniciaram as discussões sobre o contrato de fornecimento das vacinas. O acordo estabelece como o instituto terá acesso às informações sobre a qualidade do produto, enquanto o contrato deverá definir as condições de importação, distribuição e relacionamento comercial entre as empresas. A primeira minuta desse documento está em avaliação.

O projeto de produção nacional prevê a transferência de tecnologia da Sinovac para o Tecpar, incluindo compartilhamento de conhecimento técnico, capacitação de equipes e implementação das etapas produtivas no País.

VARICELA

A varicela é uma infecção viral altamente contagiosa que provoca manchas vermelhas, bolhas na pele, coceira intensa, febre e mal-estar. A transmissão ocorre por meio de tosse, espirros ou contato com o líquido das bolhas. Embora a doença geralmente apresente sintomas mais leves em crianças, pode provocar quadros graves em adultos, gestantes e pessoas com baixa imunidade.

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2017 e 2026, o Brasil registrou uma média anual de 11.515 casos de varicela. Atualmente, a prevenção da doença no País inclui a vacina tetraviral, que oferece proteção contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela e integra o Calendário Nacional de Vacinação. Já a vacina monovalente contra a varicela utilizada no Brasil é produzida por laboratórios estrangeiros e importada.

Giovanna Marana
Foto- Tecpar

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