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Maringá registra passagem de tornado

Mais de mil pessoas estão mobilizadas para recuperar os danos provocados pelo temporal que atingiu a Cidade

O tornado categoria F2 que atingiu Maringá na madrugada de segunda-feira (2) provocou estragos em diferentes regiões do município. A força dos ventos derrubou árvores, danificou estruturas e comprometeu o fornecimento de energia elétrica, água e serviços de comunicação, sendo considerada a pior ocorrência climática da história da Cidade.

Em coletiva de imprensa ontem, no final da tarde, o Gabinete de Gestão Integrada (GGI) confirmou que equipe do Simepar veio a campo e classificou o evento climático como tornado categoria F2 na Escala Fujita, quando os ventos alcançam entre 180 km/h e 253 km/h. sendo escala de referência de velocidade estimada versus estragos causados.

A classificação feita pela Escala Fujita é usada no Brasil para medir a gravidade dos tornados com base nos danos provocados. Quanto maior for a destruição, maior é a categoria atribuída ao fenômeno. A escala vai de F0 a F5.

Na ocasião, o Gabinete de Gestão Integrada (GGI) ainda relatou que há chances de tempestades severas daqui um ou dois dias e que a situação ainda exige atenção.

Diante dos estragos, o prefeito Silvio Barros anunciou um decreto de calamidade pública em Maringá. Entre 0h e 7h, a Cidade registrou 49,8 milímetros de chuva, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

Entre os locais atingidos está o quartel central do Corpo de Bombeiros, que teve parte da cobertura e da estrutura do prédio destruída. Segundo o relato de um bombeiro que estava de plantão durante a tempestade, materiais da cobertura foram encontrados a mais de 300 metros da unidade. Uma árvore também caiu dentro das instalações.

Os impactos também atingiram a rede municipal de Saúde e unidades de ensino. Das 36 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Maringá, 14 ficaram temporariamente com o atendimento comprometido por problemas relacionados à falta de energia elétrica, água, internet ou telefone. Algumas unidades também apresentaram danos na cobertura. Na educação, cinco escolas municipais foram inicialmente afetadas, mas uma retomou as atividades. Outras quatro permaneceram fechadas.

No trânsito, a queda de árvores exigiu intervenções para desobstruir as vias e restabelecer o funcionamento dos semáforos. Também foram identificados oito pontos de interferência relacionados à rede elétrica nos itinerários do transporte coletivo.

Na manhã desta terça-feira (3), a terceira reunião do GGI apresentou a situação dos serviços e as ações de recuperação. Mais de mil pessoas estão mobilizadas nos trabalhos, envolvendo equipes municipais, forças de segurança, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Copel, Sanepar e instituições parceiras. Profissionais e equipamentos de diferentes municípios do Paraná também participam da operação, com apoio de cidades da região, como Sarandi.

Durante a coletiva, o prefeito Silvio Barros afirmou que o foco da administração é restabelecer os serviços, recuperar os espaços atingidos e permitir que a população retome a rotina o mais rápido possível. O secretário de Infraestrutura, Defesa Civil e Limpeza Urbana, Vagner Mussio, destacou a atuação integrada de equipes de diferentes municípios e órgãos. “Temos pessoas mil pessoas trabalhando em Maringá, com equipes e equipamentos de diversas cidades do Paraná. Essa mobilização é fundamental para avançarmos na recuperação dos pontos atingidos e no restabelecimento dos serviços.”

ENERGIA

Para acelerar o restabelecimento da energia elétrica após o temporal, a Copel ampliou o efetivo de 400 trabalhadores, mobilizados inicialmente, para 856 eletricistas e técnicos nesta terça-feira, 3. Com o reforço, a companhia já restabeleceu o fornecimento para 41 mil unidades consumidoras. No momento mais crítico do temporal, cerca de 88 mil unidades ficaram sem luz na cidade.

As equipes concentram esforços na recuperação dos alimentadores de alta tensão, estruturas que permitem restabelecer o fornecimento de energia para um número maior de consumidores. A tempestade provocou danos severos à rede de distribuição e derrubou cerca de 170 postes. Desse total, aproximadamente 130 estão com os serviços de substituição em andamento. Os profissionais também trabalham na recuperação de cabos rompidos e na troca de equipamentos danificados.

Em caso de fios rompidos, árvores sobre a rede elétrica ou postes caídos, a orientação é manter distância e comunicar a ocorrência à Copel pelos canais oficiais: WhatsApp (41) 3514-3151; telefone 0800 510 0116; aplicativo Copel, disponível para iOS e Android; ou site copel.com.

SAÚDE

Na área da Saúde, o secretário Antônio Carlos Nardi orientou que a população procure os serviços conforme a necessidade e, quando possível, aguarde a normalização do atendimento em situações menos preocupantes. Entre as unidades afetadas, as UBSs Requião, Piatã e São Silvestre, além da unidade de Floriano, estavam sem energia elétrica, internet e telefone. A UBS Zona 06 enfrentava problemas no fornecimento de energia e água, além da falta de conexão. As UBSs Cidade Alta, Andréia e Pinheiros, assim como o Hospital Municipal de Maringá (HMM), estavam sem internet e telefone. A Residência Terapêutica Girassol também estava sem energia elétrica.

As UBSs Vila Esperança, Parigot de Souza, Sumaré e Iguatemi apresentavam problemas na cobertura. A unidade Parigot de Souza também estava sem internet e telefone. Apesar de seis UBSs ainda estarem sem energia elétrica, todas as vacinas foram preservadas. A Secretaria de Saúde acompanha o funcionamento dos equipamentos de refrigeração e mantém contato com a Copel para priorizar o restabelecimento do fornecimento nas unidades.

DEMAIS SETORES

Na educação, as escolas municipais Odete Alcântara Rosa, Pioneira Mariana Viana Dias, Dorncelina Folador e Ruy Alvino permaneciam fechadas. As demais unidades seguem sendo acompanhadas pelas equipes responsáveis, que avaliam as condições estruturais e o fornecimento de energia e água.

Para reduzir os impactos no trânsito, sete geradores foram disponibilizados em três cruzamentos importantes. A remoção de árvores é realizada em conjunto pela Prefeitura, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Copel. Nos locais próximos à rede elétrica, os trabalhos só começam após a confirmação de que a área está desenergizada e oferece condições seguras para a intervenção. Os voluntários cadastrados também poderão participar das operações, sempre sob orientação das equipes responsáveis. No transporte coletivo, as equipes acompanham os oito pontos de interferência identificados nos itinerários dos ônibus para orientar as intervenções e liberar os trajetos.

A Secretaria de Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa (SAS) acompanha as famílias afetadas e avalia as necessidades de cada situação. O levantamento inclui moradores de edifícios que dependem de elevadores e podem enfrentar dificuldades para sair de casa ou receber atendimento. Também estão em articulação ações para auxiliar moradores na recuperação dos imóveis, incluindo a possibilidade de doação de materiais de construção.

Para organizar a colaboração de moradores e empresas, a Prefeitura disponibilizou, por meio do programa Pra Somar, um cadastro unificado de voluntários e pessoas jurídicas interessadas em contribuir com os trabalhos. Pessoas físicas podem informar habilidades e serviços que podem oferecer, como trabalhos de construção civil e apoio operacional. Empresas podem disponibilizar máquinas, caminhões, equipamentos e outros recursos. As ofertas serão encaminhadas às equipes responsáveis conforme as necessidades identificadas em campo. O cadastro pode ser feito pelos canais oficiais do município. A Prefeitura esclareceu que não está promovendo vaquinhas solidárias nem arrecadações financeiras.

As empresas atingidas pelo temporal também poderão receber orientação técnica. A recomendação é que os responsáveis acionem as seguradoras, quando houver cobertura, e solicitem a avaliação dos prejuízos. Engenheiros do município poderão auxiliar na elaboração de laudos sobre danos em edificações e equipamentos.

Na segurança pública, a Polícia Militar ampliou o efetivo no município, com a mobilização de policiais dos setores administrativos, outros profissionais e reforços do Comando Regional. Também está sendo organizado o apoio de unidades de outras cidades do Paraná. O planejamento prevê patrulhamento durante 24 horas, com atenção especial ao período noturno e à madrugada.

A população pode comunicar ocorrências provocadas pelo temporal pelo aplicativo ou pelo site do 156 da Prefeitura de Maringá. A plataforma da Ouvidoria Municipal conta com um botão específico para situações relacionadas às condições climáticas. Entre os casos que podem ser registrados estão alagamentos, bloqueio do único acesso ao imóvel, destelhamentos, árvores ou galhos sobre a rede elétrica e árvores caídas ou com risco de queda. Para registrar uma ocorrência, é necessário informar o endereço completo, nome, telefone para contato e descrever a situação.

FORMULÁRIO

A Prefeitura de Maringá disponibilizou um formulário on-line para que a população possa registrar ocorrências causadas pelo temporal que atingiu a cidade. Por meio do canal, os moradores podem enviar fotos e informações sobre os danos identificados, contribuindo para o mapeamento das áreas afetadas e o direcionamento dos atendimentos pelas equipes municipais.

O formulário é uma ferramenta de apoio ao trabalho da força-tarefa mobilizada para atender as ocorrências e organizar as ações de recuperação do município.

Giovanna Marana
Foto – Reprodução

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