Início Colunistas Felicidade no trabalho: atitude, ambiente ou armadilha?

Felicidade no trabalho: atitude, ambiente ou armadilha?

Outro dia, li a frase de um executivo que dizia: “Trabalhar feliz é a única maneira de ter sucesso”. É uma declaração de impacto, sem dúvida. E concordo com ela. Mas ela só faz sentido se não a tomarmos de maneira simplória. A felicidade no trabalho não é apenas uma questão de escolha.

Primeiro, sejamos justos: a experiência e a ciência mostram que, quando estamos mais felizes e engajados, nossa criatividade aumenta, a disposição para resolver problemas é maior, colaboramos melhor e nos tornamos mais resilientes. Logo, a chance de sucesso é muito maior. Muitas vezes, a felicidade não é a consequência do sucesso; ela é o motor que nos impulsiona até ele.

O problema começa quando simplificamos demais essa ideia. É aí que caímos em algumas armadilhas que, em vez de nos levar à felicidade, nos jogam em um poço de frustração.

A primeira armadilha é a idealização do “trabalho dos sonhos”. Vivemos em uma cultura, muito impulsionada pela ideia de que precisamos encontrar “nossa paixão” e, a partir daí, todo dia de trabalho será mágico. Esperamos um ofício que seja 100% prazeroso o tempo todo. A realidade, contudo, é outra. Todo trabalho, até o mais incrível do mundo, tem seus dias tediosos, tarefas repetitivas e momentos de estresse. Nenhum trabalho é 100% paixão; todo trabalho também tem uma parte que é simplesmente “boleto para pagar” e desafio para resolver. Quando não entendemos isso, a primeira dificuldade vira motivo para acharmos que estamos no lugar errado.

A segunda armadilha é a nossa mentalidade. Às vezes, a pessoa carrega uma postura negativa para onde quer que vá. É quem só foca no que está errado, reclama de tudo, interpreta qualquer feedback como crítica pessoal e vê os colegas como competidores. Com essa mentalidade, até o melhor emprego do mundo se torna um fardo. A infelicidade, nesse caso, não está no trabalho, mas na “bagagem” que a pessoa leva para ele.

No entanto, e este ponto é crucial, precisamos falar da terceira situação: às vezes, o problema não é você, é o ambiente. Não podemos ser ingênuos e pensar que toda infelicidade profissional é culpa nossa. Existem ambientes objetivamente tóxicos, que adoecem as pessoas: lideranças abusivas, metas impossíveis, falta de reconhecimento, fofoca e competição desleal. Não há mentalidade positiva que resista a isso por muito tempo.

Então, como buscar essa felicidade possível no trabalho? O caminho depende do diagnóstico.
Se o seu problema é a idealização, é preciso ajustar as expectativas. Entenda que a felicidade não está na ausência de desafios, mas em encontrar significado e crescimento apesar deles. Foque nas partes boas, no aprendizado e nas relações que você constrói.

Se o problema é a sua mentalidade, o trabalho é interno. É cuidar do seu “software”, como praticar a gratidão, usar a mentalidade de crescimento para ver erros como aprendizado e focar no que você pode controlar: a sua atitude.

E se o problema é o ambiente, a ação é dupla. Primeiro, tente mudar o que está ao seu alcance: dê feedbacks, estabeleça limites, construa um “microclima” positivo com os colegas mais próximos. Mas, se o ambiente é genuinamente tóxico e sem perspectiva de mudança, a ação mais corajosa e saudável pode ser planejar sua saída. Reconhecer que você merece um lugar melhor é um grande ato de autocuidado.


Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras |  Doutor em Educação

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