
Sabe aquela pessoa que parece ter uma “estrela na testa”? Tudo dá certo para ela. As melhores propostas de emprego caem no colo dela. Os melhores negócios aparecem para ela. E aí a gente olha e diz: “Nossa, que pessoa de sorte”.
Será que é sorte mesmo? Ou será que estamos chamando de “sorte” o resultado de um processo que a gente não viu?
Dias atrás, esbarrei numa frase que resume essa dinâmica: “Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade”.
Antes de seguir com o que pretendo apresentar neste artigo, preciso dizer algo que muita gente nega: a sorte existe. Alguns autores contemporâneos têm mostrado que há situações que só se explicam pela sorte.
Mas, continuando, ainda que a sorte não possa ser ignorada, apostar tudo nela é ingenuidade. Deixa eu explicar como isso funciona dentro da nossa cabeça. A neurociência explica que o nosso cérebro é bombardeado por milhões de informações o tempo todo. Para não enlouquecer, ele usa um filtro. Ele só deixa você enxergar aquilo que você conhece ou procura.
Pense comigo: se eu colocar um contrato em mandarim na sua frente agora, e você não souber mandarim, aquilo para você é apenas um papel riscado. Não vale nada. Agora, se tem um colega do seu lado que estudou mandarim, ele pode ler aquele papel e descobrir o que está escrito.
A informação estava ali, na mesa, para os dois. O despreparado vê apenas rabiscos. O preparado pode descobrir um tesouro.
Existe um experimento clássico que prova isso. O psicólogo inglês Richard Wiseman reuniu dois grupos: gente que se dizia ‘sortuda’ e gente que se dizia ‘azarada’. Entregou um jornal a todos e pediu apenas que contassem as fotos.
Na segunda página, havia um aviso enorme, ocupando meia folha: ‘PARE DE CONTAR. HÁ 43 FOTOS NESTE JORNAL’.
O resultado? Os ‘azarados’ estavam tão tensos, tão focados apenas na tarefa mecânica, que ignoraram o aviso gigante. Já os ‘sortudos’, mais relaxados e atentos ao todo, viram a mensagem na hora. A oportunidade estava lá para todos. Mas só quem estava com a mente aberta conseguiu enxergar.
Na vida, as coisas funcionam do mesmo jeito. A oportunidade não bate na porta com um crachá escrito “SOU A SUA CHANCE”. Na vida real, a oportunidade muitas vezes bate na porta disfarçada de problema. Disfarçada de crise. Disfarçada de trabalho extra.
Quem não se prepara, olha para o problema e reclama. Quem se prepara, olha para o mesmo problema e enxerga uma solução que ninguém viu. E é justamente por resolver esse problema que essa pessoa é promovida ou encontra portas abertas onde, para muita gente, só há portas fechadas.
Quando apostamos tudo na sorte, perdemos oportunidades que poderiam ser nossas se estivéssemos preparados para elas. “Ah, fulano estava no lugar certo, na hora certa”. Talvez seja verdade. Porém, muita gente estava no mesmo lugar, na mesma hora, mas estava distraída. Ou despreparada. Estar no lugar certo não adianta nada se você for a pessoa errada.
Então, de nada adianta rezar por “mais sorte” se não estamos investindo em nós mesmos, em nosso desenvolvimento pessoal e profissional. A sorte não obedece ao nosso desejo; ela obedece à competência.
Portanto, se você quer ter mais sorte em 2026, aumente o seu repertório. Leia livros que ninguém lê. Aprenda habilidades que a maioria tem preguiça de aprender. Esteja curioso. Faça o que a maioria não está fazendo.
O azar, muitas vezes, é apenas uma oportunidade que encontrou você despreparado. Quando você se prepara, você calibra os seus olhos. E aí, magicamente, as oportunidades “começam a aparecer”.
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Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras | Doutor em Educação
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