
Nós alimentamos a ilusão de que somos seres racionais. A sociedade nos ensina que a emoção é uma fraqueza. A regra do mercado de trabalho e da vida adulta parece ser uma só: deixe os sentimentos de lado. Decida com a cabeça fria. Engula o choro e use a lógica. Passamos a vida inteira tentando desligar o coração para parecermos profissionais mais fortes. Para parecermos pessoas sensatas.
Mas o dia a dia parece contrariar nossas intenções e vivemos nos frustrando, porque as emoções acabam falando mais alto. Parece falha nossa, mas a ciência mostra que a tentativa de sermos o tempo todo racionais contraria a nossa própria natureza.
O psicólogo Daniel Goleman, no livro Inteligência Emocional, mostra que nós não somos máquinas de calcular. Somos seres emocionais que também pensam.
Didaticamente, podemos dizer que o cérebro humano possui duas mentes que operam juntas o tempo todo. Existe uma mente que pensa. E existe uma mente que sente. A questão central é que a mente emocional é muito mais rápida. Ela reage frações de segundo antes da mente racional perceber o que está acontecendo no ambiente. Por isso, primeiro sentimos, para depois pensarmos. E não há nada de errado nisso.
Nós costumamos acreditar que as emoções atrapalham as nossas escolhas. Achamos que a emoção tira a nossa objetividade. Mas, sem emoção, não decidimos absolutamente nada.
Pessoas que sofrem danos na área emocional do cérebro perdem a capacidade de tomar decisões simples. A lógica delas continua intacta. Elas conseguem analisar os prós e os contras de um cardápio de restaurante por horas. Elas avaliam preços e ingredientes com perfeição. Mas não conseguem escolher o prato.
A lógica apenas analisa as opções disponíveis. Mas é a emoção que faz a escolha final. É a emoção que dá peso e valor às coisas. É ela que diz o que importa de verdade para nós.
Precisamos parar de tratar a raiva, o medo ou a tristeza como defeitos de fabricação. As emoções são dados de sobrevivência. Elas são informações preciosas sobre o ambiente em que vivemos.
O medo nos avisa que existe um perigo e garante a nossa segurança física. A raiva nos mostra que um limite pessoal nosso foi desrespeitado por alguém. A tristeza sinaliza que algo importante foi perdido e nos ajuda a processar a dor. Ignorar esses sentimentos gera adoecimento. O corpo adoece quando tentamos sufocar repetidamente o que sentimos.
O problema não é sentir raiva ou sentir medo. O problema é a nossa falta de gestão sobre esses sentimentos.
Goleman chama isso de sequestro emocional. É aquele momento em que a emoção toma o controle total da situação e a razão é desligada. É quando nós gritamos com quem amamos. Quando enviamos um e-mail agressivo no trabalho sem medir as consequências. Quando destruímos uma relação de anos por causa de um impulso de cinco segundos. Nesses casos, a emoção agiu sozinha, sem a supervisão da razão.
Maturidade não é deixar de sentir. Maturidade é não ser escravo do que se sente. É a capacidade de alinhar a cabeça e o coração na mesma direção.
Quando nós ficamos com raiva, a inteligência emocional entra em cena. Ela não impede a existência da raiva. Ela apenas pausa a reação imediata. Ela nos dá tempo para pensar antes de falar. Ela transforma um impulso destrutivo em uma atitude calculada, equilibrada.
Uma empresa não cresce apenas com metas lógicas e gráficos de produtividade. Ela precisa de pessoas engajadas. E o engajamento é puramente emocional. A razão constrói a estrutura da nossa vida. Mas é a emoção que dá o sentido para continuarmos acordando todos os dias.–
Ronaldo Nezo
Comunicador Social
Especialista em Psicopedagogia
Mestre em Letras | Doutor em Educação
Visite meu blog:
http://pegouaideia.com
Siga-me no instragram:
http://instagram.com/ronaldonezo
