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Você ainda espera sentir vontade para agir?

Quantas vezes você já se pegou esperando a motivação para começar aquele projeto importante? Para acordar mais cedo, para estudar, para treinar ou para dar aquele passo decisivo na carreira? É uma armadilha muito comum. A gente acredita que precisa sentir vontade para agir. Mas a ciência e a experiência me ensinaram que esperar pela motivação é a fórmula para não sair do lugar.

O respeitado psicólogo Roy Baumeister, da Universidade de Stanford, dedicou anos ao estudo da força de vontade. E a conclusão dele é clara: força de vontade não é magia nem um dom que poucos têm. É um recurso, como a energia de uma bateria. Ele pode se esgotar com o uso excessivo, mas também pode ser fortalecido com a prática, como um músculo. A boa notícia é que você pode treinar esse músculo. A chave está em parar de depender do pico de motivação e começar a construir hábitos.

Vivemos cercados de frases do tipo “encontre sua motivação” e “siga sua paixão”. Isso cria a ilusão de que o sucesso é fruto de um estado de espírito permanente entusiasmado. Mas a verdade do dia a dia é bem diferente. Quantos de nós traçaram metas empolgantes no começo do ano e já as abandonaram em fevereiro?

Uma pesquisa clássica da Universidade de Scranton, no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, mostra que apenas 8% das pessoas conseguem cumprir suas metas de ano novo até o fim. Os outros 92% desistem. Isso acontece porque a euforia inicial da motivação passa, e quando ela vai embora, a falta de uma estrutura — de uma rotina — faz tudo desmoronar.

Já parou para pensar no que realmente faz a diferença na carreira de alguém? Um estudo global realizado pelo Gallup, em 2022, mostrou algo que muitos já desconfiavam: no mundo todo, apenas 21% dos profissionais se sentem realmente engajados com o trabalho. Ou seja, a grande maioria está no piloto automático, sem paixão ou motivação extra, e ainda assim os bons profissionais vão além.

A diferença entre quem estagna e quem cresce raramente é o “tesão” pelo que faz. A diferença está na capacidade de executar, de criar sistemas e de ser consistente mesmo quando a empolgação vai embora. Pequenas ações, repetidas consistentemente, produzem resultados com o tempo.

Mas como fazer isso na prática? Primeiro, transforme ações importantes em compromissos inegociáveis na sua agenda. Não espere sentir vontade de escrever aquele relatório ou de estudar para aquela prova; coloque um horário fixo e apenas comece. Segundo, construa o que os especialistas chamam de “ambiente favorável”. Se você precisa se concentrar, deixe o celular em outro cômodo, desligue as notificações do computador. O ambiente dita muito mais o seu comportamento do que a sua força de vontade.

Um estudo publicado pela Harvard Business Review mostra que a maioria das pessoas superestima o papel da motivação e subestima o impacto devastador da falta de disciplina. A disciplina é como o alicerce de uma casa. A motivação é a decoração bonita que fica por cima. Sem o alicerce, a primeira chuva derruba tudo.

Entenda: você não precisa estar motivado para agir. Agir é o que vai te motivar. Cada pequeno passo, dado de forma consistente e disciplinada, gera um resultado. Esse resultado gera confiança. E essa confiança é o verdadeiro combustível que te mantém no jogo por muito mais tempo.

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Ronaldo Nezo

Comunicador Social

Especialista em Psicopedagogia

Mestre em Letras | Doutor em Educação

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