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Maringá começou do nada

Vou contar o que me contaram quando aqui cheguei. O primeiro prefeito, Inocente Villanova Júnior, tomou posse no dia 14 de dezembro de 1952. Até então Maringá era distrito de Mandaguari, todavia o prefeito daquele município não fazia nada aqui, a não ser cobrar impostos. Quem de fato cuidava da futura cidade era a Companhia Melhoramentos.

     Empossado, o prefeito Villanova foi procurar a sede do governo para iniciar seus trabalhos. Achou uma casa alugada, onde até as vésperas funcionava uma subprefeitura, porém o espaço estava completamente vazio. O prefeito de Mandaguari mandara fazer uma limpa total, não deixando sequer um clipe.

     Villanova chegou lá em companhia do primeiro funcionário municipal, Antônio Mário Manicardi, o saudoso poeta Nhô Juca. Primeiro ato: tirou do próprio bolso um dinheiro e pediu ao Manicardi que fosse comprar duas mesas e duas cadeiras, onde os dois pudessem atender a população. Só que não poderiam fazer nada, visto que não havia um tostão em caixa.

     A Câmara Municipal ajudou bastante: aprovou rapidamente um código tributário e um conjunto de leis mediante as quais a administração pudesse entrar em operação. Enquanto isso, o prefeito contratou um contador para organizar a contabilidade da prefeitura e a papelada necessária.

     Porém os primeiros dinheirinhos que entravam via cobrança de impostos e taxas eram bem minguados. Foi preciso então fazer um volumoso empréstimo bancário. Mais uma vez os vereadores demonstraram boa vontade e aprovaram.

     Com o empréstimo, deu para equipar a prefeitura e comprar os primeiros veículos e máquinas. O mais importante era um caminhão-pipa, que ficava o dia inteiro molhando as ruas e avenidas, a fim de amenizar o poeirão.

     Mas mesmo assim, com essas dificuldades todas, e embora na fase final do mandato tivesse que enfrentar algumas brigas com a Câmara e com a companhia colonizadora, o primeiro prefeito conseguiu deixar boas marcas. Abriu muitas escolas, e, entre outras conquistas, conseguiu a implantação da energia elétrica e dos telefones automáticos. Bonitos tempos.

A. A. de Assis
Foto – Reprodução

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